Hoje, muitos carros modernos coletam uma enorme quantidade de dados sobre seus usuários e vendem essas informações para terceiros, muitas vezes sem o consentimento claro dos motoristas. Essa prática tem chamado a atenção tanto dos órgãos reguladores quanto dos consumidores, diante da preocupação crescente com a privacidade digital.
Recentemente, a General Motors (GM) sofreu uma multa histórica por vender dados dos seus clientes a empresas de análise de risco para seguradoras. O caso abriu espaço para um debate mais amplo sobre a forma como a indústria automotiva coleta e compartilha dados dos motoristas, uma tendência que não se restringe apenas à GM.
A multa da Federal Trade Commission contra a General Motors
No início de 2026, a Federal Trade Commission (FTC) dos EUA impôs à GM uma proibição de cinco anos para vender informações dos seus usuários a agências de crédito e corretores de dados terceirizados. A montadora vinha monitorando comportamentos como excesso de velocidade e direção noturna, criando perfis usados para influenciar preços de seguros.
Muitos motoristas desconheciam essa coleta de dados intensa, que acontecia principalmente para quem assinava o serviço conectado OnStar. Esse serviço ativava funcionalidades como o Smart Driver, que rastreava hábitos de direção. A GM repassava essas informações para empresas como LexisNexis e Verisk, ambas voltadas ao setor segurador.
O cenário da coleta de dados entre as montadoras
GM não é um caso isolado. Um estudo da Mozilla Foundation analisou as políticas de privacidade das principais fabricantes de veículos e apontou que todas apresentam falhas graves na proteção e transparência sobre dados dos clientes. As políticas variam entre o carro, serviços conectados, aplicativos para smartphones e até financiamentos, formando um emaranhado difícil de entender para o consumidor.
Além disso, um levantamento do Consumer Reports reforçou que quase todas as montadoras que atuam no mercado dos EUA continuam coletando e compartilhando dados comportamentais dos motoristas com outras empresas. A dificuldade de controlar essas informações em veículos é maior do que em smartphones, pois a configuração está dispersa em diversos sistemas e contratos.
Legislação e propostas em andamento para segurança dos dados veiculares
O caso da GM reacendeu o debate político sobre como proteger os dados dos proprietários de veículos. Em dezembro passado, deputados republicanos introduziram o DRIVER Act, projeto que defende que o dono do carro seja o real proprietário dos dados gerados, garantindo mais controle ao consumidor.
Apesar da intenção, o projeto permitira que as montadoras continuassem coletando e comercializando informações, o que desagrada especialistas em privacidade. Eles argumentam que facilitar o acesso e a exclusão dos dados não impede o problema do excesso de coleta em primeiro lugar, deixando a responsabilidade para o usuário.
O movimento por carros mais simples e menos conectados
Em paralelo a isso, cresce a demanda por veículos que não coletem tantos dados. Consumidores buscam carros com menos sensores e recursos conectados, querendo fugir do monitoramento constante. O debate chegou até a ala MAGA, quando em julho o secretário de Transportes do governo Trump propôs a ideia do “Freedom Car” — um carro desconectado, sem sistema automatizado ou transmissão de dados.
Porém, a rejeição ao monitoramento total é desigual. Muitos aceitam recursos importantes para segurança, como câmeras de ré, mas rejeitam anúncios embutidos ou câmeras que acompanham todos os seus movimentos na rua. Enquanto isso, as fabricantes continuam incentivadas a coletar dados, já que a monetização dessas informações faz parte de um mercado muito lucrativo.
Vale a pena se preocupar com a privacidade dos dados do seu carro?
Considerando tudo o que já está acontecendo, é fundamental que os proprietários fiquem atentos às configurações e políticas de privacidade dos seus veículos. Embora existam opções para desativar a coleta de dados, elas são escondidas em páginas inacessíveis e carregadas de termos jurídicos complexos.
Além disso, os aplicativos para serviços conectados tendem a ser mais fáceis de ajustar, mas o problema maior é que não há um padrão claro para transparência. A realidade é que a proteção da privacidade no automóvel ainda caminha a passos lentos diante do interesse comercial das montadoras.
No EventiOZ, acompanhamos de perto essa questão que já virou tema fundamental na intersecção entre tecnologia, transporte e direitos do consumidor. Entender como suas informações estão sendo usadas pode evitar surpresas desagradáveis como aumento injustificado no valor do seguro ou vendas indevidas de dados.
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