O filme Michael, lançado em 24 de abril de 2026, retrata a ascensão de Michael Jackson ao posto de rei do pop. Interpretado por seu sobrinho Jafaar Jackson, o longa biográfico já recebeu críticas negativas por adotar uma abordagem segura e superficial sobre a vida do artista.
Apesar das avaliações ruins entre especialistas, o público tem reagido de maneira mais positiva, destacando as performances e o clima vibrante da narrativa. No entanto, o filme opta por interromper a história em um ponto alto da carreira de Michael, deixando de lado episódios marcantes e polêmicos de sua vida. Veja abaixo os detalhes do desfecho da produção e as controvérsias envolvidas.
O que acontece no final de Michael?
A trama de Michael termina entre os anos de 1984 e 1988. Após o sucesso do clipe inovador Thriller, dirigido por John Landis, Michael alcança o estrelato mundial. O pai abusivo do cantor, Joe Jackson, representado por Colman Domingo, tenta tirar proveito do momento para organizar um retorno dos Jackson 5, fechando contrato com a Pepsi para um tour de reunião liderado pelo filho.
Durante as gravações de um comercial, Michael sofre queimaduras graves após um acidente com efeitos especiais. Ele recebe tratamento no Brotman Medical Center e fecha acordo financeiro com a Pepsi, doando o valor recebido para o hospital. Mesmo depois do acidente, ele cumpre o compromisso com a turnê e anuncia o fim definitivo da banda após uma última apresentação.
A produção termina com Michael mostrando sua independência ao romper com o controle do pai como seu empresário. O filme encerra com um show para 90 mil pessoas no estádio de Wembley, na turnê Bad, em 1988, destacando a superação e sucesso do artista até aquele momento.
Originalmente, a história deveria explorar um capítulo mais sombrio sobre as acusações de abuso sexual contra Michael em 1993. Porém, por conta de cláusulas legais que proibiam dramatizar o suposto menor envolvido, as cenas foram descartadas. Isso resultou em refilmagens que alteraram totalmente o fim da obra.
O desfecho deixa claro que a vida do astro continuou, estampando uma mensagem de que “Sua História Continua”. Essa decisão evita os períodos mais controversos dos anos seguintes, mantendo a narrativa em tom positivo. Com o envolvimento da família Jackson na produção, um possível segundo filme com os temas omitidos parece improvável.
Por que Michael é um filme tão controverso?
A grande crítica ao filme Michael está na forma como ele suaviza e evita assuntos delicados da vida do cantor, preferindo focar em sua imagem de ícone pop celebrada. Mesmo com elogios à atuação de Jafaar Jackson, a opinião geral é que a produção funciona mais como um “álbum de sucessos” do que um retrato profundo e fiel.
O papel abusivo de Joe Jackson, conhecido por maltratar seus filhos, aparece de forma resumida e diluída na narrativa, sem mostrar as consequências traumáticas para Michael. Pouco se fala sobre a infância perdida, as pressões e as marcas deixadas pelo pai. Outros temas importantes, como as mudanças físicas do cantor e sua luta contra o vitiligo, são tratados superficialmente.
Além disso, o longa ignora os episódios posteriores de polêmicas, incluindo os casamentos de Michael com Lisa Marie Presley e Debbie Rowe, as alegações de abuso infantil em 1993 e 2005 e o documentário Leaving Neverland, que trouxe novas perspectivas sobre sua imagem. Com isso, o roteiro parece proposto para preservar uma versão favorável e evitar confrontos.
O encerramento antes de 1989 evita abordar detalhes do que muitos consideram os períodos mais controversos. Dessa forma, deixa a sensação de uma narrativa incompleta e desconectada da realidade, terminando em um ponto de transição em vez de fechamento.
O real significado do filme Michael
O longa não tenta contar a história completa do cantor desde a infância até o fim da vida. Em vez disso, foca em sua ascensão e deixa lacunas evidentes. Com a legenda “Sua História Continua” na cena final do show em Wembley, o filme sinaliza que há muito mais a ser contado, mas não é esse o objetivo da produção atual.
Michel aparece aqui como um personagem quase imaculado, destacando apenas suas conquistas e superações. A decisão de omitir a parte mais problematizada da trajetória se traduz em um filme que parece um tributo seguro e refratário a controvérsias.
Vale a pena assistir Michael?
Para fãs da música e do legado de Michael Jackson, o filme pode oferecer entretenimento com boas performances e sequências musicais marcantes. Ainda assim, quem busca um relato mais complexo sobre a vida do artista pode se sentir frustrado com a falta de aprofundamento e de abordagem dos aspectos controversos.
A experiência no cinema do Michael se assemelha mais a uma celebração da fama do que a um dos relatos mais reveladores e audaciosos já produzidos sobre ele. Para entender o debate completo e as controvérsias relacionadas, pode ser útil procurar documentários e análises que exploram com mais detalhes a trajetória cheia de altos e baixos.
Este tipo de narrativa limitada não é incomum em biografias produzidas com envolvimento das famílias, que tendem a pedir moderação no retrato dos protagonistas. O EventiOZ segue de perto essas produções e aguarda a possibilidade de ver outras obras que contemplem o que ficou de fora. Quem gosta de histórias reais com camadas ocultas pode se interessar também pelo filme Entenda o final de Over Your Dead Body e o que as cenas finais realmente significam.

