Em 2025, Elgin Community College, em Illinois, instalou seis câmeras da Flock Safety para reforçar a segurança no campus. Dois meses depois, a instituição passou a desconfiar do uso e compartilhamento dos dados captados pelas câmeras.
Com receio de que as imagens fossem compartilhadas com a agência de alfândega e de que o acesso aos dados fosse inadequado, a faculdade pediu a remoção dos dispositivos. A resposta da empresa, porém, surpreendeu.
Preocupações com privacidade e uso dos dados
O Elgin Community College instalou as câmeras da Flock Safety em abril de 2025 com o objetivo de garantir maior proteção aos estudantes e funcionários. Contudo, após alguns meses, a administração começou a levantar suspeitas sobre rumores envolvendo o compartilhamento de informações com a Customs and Border Protection, órgão americano de imigração e fiscalização.
Além disso, havia indícios de que os fluxos de vídeo não estavam devidamente protegidos. A instituição também recebeu relatos de que funcionários da própria Flock e agentes de segurança pública acessavam os dados de forma indevida, evidenciando falhas em protocolos de segurança e privacidade.
Negativas e quebra de contrato no pedido de retirada das câmeras
Em outubro de 2025, a faculdade formalizou o pedido para a Flock Safety remover seus equipamentos das dependências do campus. Segundo a presidente da instituição, Peggy Heinrich, a empresa se recusou a cumprir, alegando que nenhuma cláusula contratual tinha sido violada.
A situação se complicou em dezembro, quando Elgin fez nova tentativa, oferecendo até pagar antecipadamente o restante do contrato, que ainda tinha cinco meses pela frente, para que as câmeras fossem retiradas antes do término. No entanto, a Flock permaneceu em silêncio e manteve os dispositivos ativos.
Conflito incomum: a batalha para impedir o uso das câmeras
Diante da recusa da Flock, a equipe do Elgin Community College passou a cobrir os equipamentos com sacos de lixo pretos e fitas zip tie, tentando impedir que as câmeras continuassem a gravar no campus. A atitude, no entanto, não se revelou suficiente para cessar as filmagens.
Funcionários do campus relatam que, em várias ocasiões, pessoas em veículos não identificados — que a diretoria acredita pertencerem à Flock — voltaram ao local para retirar as coberturas e reativar os equipamentos. “Era um movimento de vai e vem: cobríamos, eles descobriam”, comenta Peggy Heinrich, expressando o impasse vivido pela faculdade.
Fim do conflito e retirada das câmeras em 2026
A resistência continuou até abril de 2026, quando o contrato entre Elgin Community College e a Flock Safety finalmente expirou. Após o término do acordo, a empresa recolheu os seis dispositivos instalados inicialmente no campus.
Esse episódio levanta questões sobre o equilíbrio entre tecnologia de segurança e a proteção da privacidade dos usuários, além de destacar desafios atuais enfrentados por instituições que adotam sistemas de vigilância avançada.
Vale a pena usar câmeras da Flock Safety em instituições educacionais?
A experiência de Elgin Community College evidencia que a adoção de tecnologias como as câmeras da Flock Safety pode gerar preocupações quanto à forma como os dados são usados e protegidos. Escolas que buscam aumentar a segurança precisam avaliar cuidadosamente os impactos na privacidade e a transparência das empresas fornecedoras.
Além dos debates sobre segurança, esses eventos também dialogam com temas mais amplos que envolvem privacidade e tecnologia, tão discutidos hoje em dia em diversos setores da sociedade.
No espaço do EventiOZ você encontra ainda outras notícias relacionadas à tecnologia e seus desdobramentos na vida cotidiana. O caso da Flock Safety é um exemplo claro do impacto que soluções tecnológicas sofisticadas podem causar em instituições e comunidades.

