TÍTULO: Congresso prorroga por 45 dias reautorização da Seção 702 da FISA, mas reformas ainda geram impasse
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TAGS: Congresso, Seção 702, FISA, vigilância, reformas legislativas
META: Congresso amplia por 45 dias a Seção 702 da FISA, adiando negociações de reformas urgentes no programa de vigilância dos EUA.
O Congresso dos Estados Unidos aprovou uma prorrogação de 45 dias para a Seção 702 da Foreign Intelligence Surveillance Act (FISA), uma medida temporária para dar mais tempo às negociações sobre reformas na legislação. O prazo curto indica que o debate sobre o tema continuará tumultuado e repleto de divergências políticas.
A renovação da Seção 702 foi aprovada com algumas mudanças pontuais, mas sem avanços decisivos em questões polêmicas, como a exigência de mandados para investigações envolvendo cidadãos americanos. Além disso, o projeto aprovado trouxe uma cláusula que proíbe o Federal Reserve de emitir moedas digitais, ampliando a discussão para outros temas sensíveis.
Prorrogação temporária para ampliar o debate sobre vigilância
Na última quarta-feira, a Câmara dos Representantes renovou a Seção 702 por mais 45 dias. A medida visa evitar a interrupção do programa de vigilância, que permite a coleta de dados estrangeiros e norte-americanos de forma controversa. Essa extensão temporária serve, na prática, para ganhar tempo enquanto parlamentares tentam elaborar uma reforma.
Segundo o líder da maioria no Senado, John Thune (R-SD), esse prazo é suficiente para um acordo, desde que haja boa vontade entre os legisladores. Contudo, as negociações prometem ser difíceis, já que as disputas políticas continuam fortes, principalmente sobre o alcance das medidas de proteção à privacidade.
Debate acirrado e ausência de mandados causa tensão
A votação no Senado foi marcada por desacordos, principalmente sobre o período da extensão. O senador Ron Wyden (D-OR) defendia apenas três semanas, enquanto Tom Cotton (R-AR) pediu 45 dias, ressaltando a importância da Seção 702 em operações militares, como a que resultou na invasão da residência do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Aprovada no Senado, a prorrogação foi confirmada em plenário na Câmara, com 261 votos a favor e 111 contra. Apesar disso, muitos parlamentares reclamaram da falta de transparência nas negociações e da ausência de debates sobre emendas propostas para restringir o alcance da vigilância.
Críticas ao processo legislativo e inclusão polêmica de medidas financeiras
Durante as discussões, o deputado Jim McGovern (D-MA) criticou duramente a liderança da Câmara por impedir debates e votos sobre diversas emendas à proposta. Ele descreveu o processo dos últimos dias como um “caos” e afirmou que regras foram alteradas de última hora, prejudicando o trabalho dos parlamentares.
Além das disputas políticas, o texto aprovado trouxe uma cláusula proibindo o Federal Reserve de criar uma moeda digital de banco central (CBDC). A adição dessa medida, considerada “inaceitável” pelo líder do Senado, reflete a complexidade das negociações, que misturam temas de vigilância e política monetária em um único texto.
Principais mudanças no projeto e reações de especialistas em privacidade
Embora o texto tenha sido aprovado com algumas alterações, reformadores e especialistas indicam que as mudanças até agora são superficiais. Entre as medidas incluem-se penalidades criminais para abusos das consultas da Seção 702, exigência de aprovação prévia de advogados do FBI para investigações envolvendo americanos, e auditoria independente realizada pelo Government Accountability Office.
Mesmo assim, a ausência do requisito de mandado para buscas em comunicações de cidadãos gera críticas. O especialista Jake Laperruque, do Center for Democracy and Technology, considerou o projeto “extremamente decepcionante” e afirmou que não traz reformas significativas para proteger os direitos individuais.
Prazo final para definição das reformas e continuidade da negociação
Com a extensão concedida até 14 de junho de 2026, o Congresso ainda precisa definir um texto mais abrangente para a Seção 702 da FISA. As disputas internas e a pluralidade de temas envolvidos apontam para um processo longo e complexo, que deve mobilizar debates intensos sobre privacidade, segurança e poder governamental.
Enquanto isso, outras discussões envolvendo tecnologia e inovação avançam em paralelo, como o recente crescimento de buscas e assinaturas de inteligência artificial no primeiro trimestre de 2026, que mostram o interesse crescente em novas ferramentas digitais na sociedade atual. Assim, o tema da vigilância e proteção de dados continua no centro do debate sociopolítico.

