O uso da inteligência artificial (IA) nas forças armadas dos Estados Unidos tem uma história mais antiga e complexa do que muitos imaginam. Desde 2017, o Projeto Maven tem sido a principal iniciativa para integrar IA na análise de imagens de drones e acelerar o processo de ataque, alterando drasticamente a velocidade e a escala das operações militares.
Este movimento revolucionou a guerra moderna e levantou discussões significativas sobre riscos, ética e responsabilização. O jornalista Katrina Manson detalha essa trajetória em seu livro Project Maven: A Marine Colonel, His Team, and the Dawn of AI Warfare, mostrando os bastidores e os desafios do projeto.
Uma nova era na guerra acelerada com inteligência artificial
Durante as primeiras 24 horas do ataque ao Irã, o Exército dos EUA atingiu mais de 1.000 alvos, quase o dobro do número de ataques feitos na invasão do Iraque, há mais de 20 anos. Essa rapidez se deve, principalmente, ao Maven Smart System, que automatiza e agiliza a seleção dos alvos.
O Maven processa imagens de satélite, radares, redes sociais e várias outras fontes para identificar ameaças em campo de batalha. Com isso, a duração das operações de identificação e ataque, que antes levavam horas, passaram a ser concluídas em segundos.
Origem e desenvolvimento do Projeto Maven
O projeto teve início em 2017 com o objetivo de aplicar tecnologias de visão computacional a imagens de drones, inicialmente com a colaboração da Google. Entretanto, protestos internos na empresa fizeram com que ela se retirasse do acordo.
O obstinado oficial de inteligência dos Marines, Drew Cukor, assumiu a liderança e buscou parcerias com outras gigantes tecnológicas, como Palantir, Microsoft, Amazon e Anthropic. Essas empresas desenvolveram as bases da plataforma que hoje é usada pelas Forças Armadas dos EUA e pela Otan.
O papel da Palantir e a expansão do sistema
Após a saída da Google, Palantir passou a ser o principal parceiro do Maven. No começo, a empresa não acreditava no sucesso da inteligência artificial nessa aplicação, preferindo focar na análise de dados, e não apenas criar uma interface visual para usuários.
No entanto, sob a visão estratégica de Cukor, Palantir desenvolveu uma ferramenta mais amigável para os operadores militares, superando resistências iniciais. Atualmente, o Maven Smart System é um programa oficial com contratos lucrativos para a Palantir, consolidando seu lugar no arsenal dos EUA.
O impacto da inteligência artificial no conflito da Ucrânia
O apoio dos EUA à Ucrânia marcou um ponto decisivo na evolução do Maven. A equipe aérea dos EUA em Wiesbaden utilizou a tecnologia para identificar posições russas, embora os algoritmos tivessem dificuldades no cenário do frio e neve, levando a ajustes rápidos com novos dados.
Essa adaptação acelerou ataques contra equipamentos russos, com os EUA enviando até 267 “pontos de interesse” num único dia para os ucranianos, ajudando a guiar operações sem envolver oficialmente as tropas norte-americanas diretamente no combate.
Vale a pena entender o que o Projeto Maven trouxe para a inteligência artificial na guerra?
O Maven transformou o ciclo de ataques, reduzindo a presença humana nas etapas de análise e aumentando o papel da IA. Ainda que a decisão final de atacar seja humana, os processos são cada vez mais digitais, rápidos e automatizados.
Porém, essa velocidade gera debates sobre os riscos de erros causados por dados desatualizados, como o caso da escola em um antigo complexo naval iraniano que resultou em tragédia. O equilíbrio entre eficiência e segurança permanece no centro das discussões militares e éticas.
Para quem acompanha o avanço da tecnologia e o impacto da inteligência artificial em cenários reais, como o uso da IA no projeto Maven, é fundamental observar como essas ferramentas vão redefinir o futuro dos conflitos. No EventiOZ, continuamos atentos às novidades e às implicações dessas mudanças.

