Nos Estados Unidos, o governo impôs uma proibição severa à importação de drones fabricados no exterior, com o argumento de proteger a segurança nacional. No entanto, recentes investigações mostram que essa medida tem sido facilmente burlada por empresas que apresentam documentos falsos para continuar vendendo tecnologia chinesa no país.
O caso da Odyssey Robot revela a fragilidade do sistema de fiscalização da Comissão Federal de Comunicações (FCC). A empresa declarou falsamente que seus drones de tecnologia chinesa eram produzidos nos EUA, usando endereços e informações enganosas que passaram despercebidos pela agência reguladora.
O banimento da FCC e o surgimento das empresas de fachada
Em 22 de dezembro de 2025, a FCC anunciou a proibição de drones estrangeiros devido a ameaças à segurança nacional, especialmente produtos fabricados na China. A medida exige que fabricantes estrangeiros obtenham uma licença especial para importar seus produtos para os EUA. Entretanto, essa licença não exige melhorias técnicas ou restrições específicas na tecnologia dos drones.
A decisão está alinhada com a política “America First”, ganhando poderes para escolher quais empresas podem atuar no mercado americano, mas sem garantir transparência ou fiscalização rígida. Por exemplo, a empresa americana Netgear obteve uma licença mesmo sem demonstrar comprometimento com produção local fora da Ásia.
Odyssey Robot: uma empresa que existe só no papel nos EUA
Localizada em um escritório pequeno e sem estrutura na cidade de Pasadena, Califórnia, a Odyssey Robot notoriamente não possui uma linha de montagem real ou qualquer indicação de operação produtiva. Apesar de afirmar fabricar drones nos EUA, o espaço e os equipamentos são apenas um escritório coquetelaria com três mesas vazias, confirmando tratar-se de uma empresa fictícia.
A montadora atribuída à empresa, a eTak Worldwide, em Grand Prairie, Texas, é na verdade uma recicladora de eletrônicos, sem instalações voltadas para o desenvolvimento ou montagem de drones. Quando questionados, os responsáveis pela eTak negaram qualquer relação com a Odyssey Robot.
Técnica e rastros digitais denunciam a origem chinesa dos drones
A tecnologia por trás dos drones em questão utiliza sistemas proprietários da DJI, maior fabricante mundial de drones, como o OcuSync, que tem frequências específicas de rádio facilmente detectáveis nos bancos de dados da FCC. Isso permitiu descobrir que várias empresas, como Skyrover e Xtra, vendem drones com hardware e software muito semelhantes ao da DJI.
Apesar das evidências, a FCC aprovou a entrada da Odyssey Robot no mercado alegando design, desenvolvimento e fabricação locais, com documentos assinados por um diretor de compliance, Randolph Howard Eason, cuja existência no mercado americano não pôde ser verificada. A fragilidade do sistema de controle do órgão se soma aos endereços franqueados e contatos telefônicos inexistentes fornecidos para o processo.
Limitações na fiscalização da FCC e consequências para consumidores
A certificação de produtos pela FCC é terceirizada para empresas privadas chamadas TCBs (Telecommunications Certification Bodies). Esses órgãos deveriam checar a veracidade das declarações, porém relatos indicam que a checagem é superficial e que os processos são frequentemente automáticos, com pouca ou nenhuma investigação prática sobre o paradeiro ou autenticidade das empresas.
Um exemplo recente é a aprovação da Odyssey Robot pela TÜV Rheinland, TCB responsável pela autorização. Mesmo após ser notificada sobre possíveis irregularidades, a TÜV afirmou não encontrar motivos para contestar a certificação, reforçando as falhas no sistema. Assim, consumidores correm risco de comprar produtos de empresas fantasmas, sem garantia ou suporte real.
O que a situação revela sobre o mercado de drones nos EUA
O caso da Odyssey Robot expõe falhas graves na fiscalização da FCC, mostrando como a ausência de verificações rigorosas pode ser explorada para driblar proibições e legalizar produtos estrangeiros disfarçados. Mesmo com medidas restritivas, drones chineses continuam descaradamente presentes no mercado americano, prejudicando tanto a segurança quanto a concorrência local.
Para melhorar esse cenário, a FCC tem sinalizado mudanças, como exigir que lojas online exibam claramente as identificações FCC de cada dispositivo, ajudando consumidores a identificar inconsistências. No entanto, o desafio de frear empresas de fachada que burlam o sistema permanece complexo, com fraudes que podem custar pouco a quem as executa.
Esses fatos deixam claro que, para impedir totalmente drones chineses de circular nos EUA, será necessário um controle muito mais rigoroso e ações eficazes de fiscalização. Enquanto isso, muitos relatórios como este, publicados pelo EventiOZ, ajudam a manter o assunto em evidência e a alertar o público para esses riscos reais.

