O sucesso estrondoso do Universo Cinematográfico Marvel (MCU) inspirou diversas produtoras a tentar criar seus próprios universos compartilhados no cinema e na TV. Desde 2008, o MCU uniu rostos como Homem de Ferro e Capitão América em uma complexa teia de filmes e séries interligados, gerando bilhões em bilheteria. No entanto, não são todos os estúdios que conseguiram repetir essa fórmula vencedora.
Franquias de quadrinhos, animações e até séries ficaram na tentativa de surfar na onda do universo expandido. Algumas sobreviveram, outras naufragaram antes mesmo de engatar. Com projetos que foram cancelados, reboots e muitas tentativas frustradas, o mercado mostrou que universos compartilhados exigem mais do que planos grandiosos para conquistar audiência e lucro. Aqui, o EventiOZ mostra algumas dessas iniciativas que simplesmente não funcionaram.
O Dark Universe
A Universal tentou revitalizar seus clássicos monstros com o Dark Universe, uma tentativa de criar um universo compartilhado de filmes como Drácula e Frankenstein. A aposta inicial veio com “Dracula Untold” em 2014, mas pouca gente percebeu que fazia parte de algo maior.
Em 2017, o reboot de “A Múmia” com Tom Cruise trouxe um personagem chave, Dr. Henry Jekyll, vivido por Russell Crowe, que atuaria como um elo entre as produções, fazendeiro à la Nick Fury. Johnny Depp e Angelina Jolie foram escalados para papéis emblemáticos, como Homem Invisível e Noiva de Frankenstein. Apesar disso, o público rejeitou “A Múmia” pela baixa qualidade, que atingiu apenas 15% no Rotten Tomatoes, forçando a Universal a abandonar o universo compartilhado.
Desde então, o estúdio optou por lançar filmes isolados como “O Homem Invisível” (2020) e “O Lobisomem” (2025), deixando o Dark Universe de lado. O projeto fracassou mesmo faturando mais de 400 milhões mundialmente, pela falta de coerência e qualidade entre os títulos.
Anne Rice’s Immortal Universe
Embora ainda em andamento, o universo inspirado nas obras de Anne Rice enfrenta dificuldades para se consolidar. “Entrevista com o Vampiro” é a produção mais elogiada até o momento, atualmente em sua terceira temporada com “The Vampire Lestat”. A série estabeleceu uma base positiva para a franquia.
Por outro lado, “Mayfair Witches” teve estreia instável, mas melhorou na segunda temporada e foi renovada. A maior baixa foi “Talamasca: The Secret Order”, cancelada após um único ciclo por avaliações mornas. A tentativa de interligar personagens e tramas não suficiente para manter o interesse, deixando as perspectivas desse universo compartilhado incertas.
O Universo Cinematográfico LEGO (LCU)
O universo de filmes baseados nos brinquedos LEGO iniciou com sucesso em 2014 com “A LEGO Filme”, produzido com orçamento modesto de 60 milhões e faturando 470 milhões globalmente. “A LEGO Batman Movie” em 2017 também se saiu bem, confirmando o potencial da franquia.
No entanto, “The LEGO Ninjago Movie”, lançado no mesmo ano, decepcionou nas bilheterias, arrecadando pouco mais de 120 milhões com custo de 70 milhões. A baixa recepção desse título foi um alerta. A sequência “A LEGO Filme 2: O Segundo Parte” (2019) não conseguiu recuperar depois de um hiato de cinco anos, arrecadando 199 milhões contra um orçamento de 99 milhões. A estratégia de conectar esses filmes perdeu força, e a franquia deixou de investir em universos compartilhados.
Sony’s Spider-Man Universe (SSU)
A Sony tentou construir seu próprio universo baseado nos personagens do Homem-Aranha, especialmente em seus vilões. A trilogia Venom teve resultados mistos, começando bem mas piorando nos desdobramentos. O sucesso inicial do primeiro filme levou o estúdio a investir em personagens como Morbius, Madame Web e Kraven.
Entretanto, “Morbius” amargou péssimas críticas após problemas na produção, resultando em um fracasso nas bilheterias, o que contaminou os laterais “Madame Web” e “Kraven”. O segundo teve lançamento em 2024 e também foi mal recebido, marcando o fim do projeto. Mesmo com elenco como Dakota Johnson e Sydney Sweeney, as produções não conseguiram atrair o público esperado.
Vale a pena apostar em universos compartilhados?
A criação de universos compartilhados no cinema e na TV parece uma aposta certeira depois do fenômeno do MCU. Contudo, muitos desses projetos falham por falta de planejamento, qualidade ou conexão real entre os títulos. São filmes e séries que tiveram orçamentos consideráveis e grandes nomes envolvidos, mas não conseguiram manter o interesse do público e crítica.
Para fãs do gênero, seguir as notícias sobre esses universos, como as atualizações no universo DC, que vem ganhando força com a nova fase sob o comando de James Gunn, ou até mesmo produções da HBO como a série Barry, é uma oportunidade de acompanhar a evolução dessas estratégias (https://eventioz.com.br/serie-barry-hbo-thriller-criminal-subestimado/).
No EventiOZ, nosso compromisso é trazer um olhar detalhado e atualizado sobre esses fenômenos do entretenimento, mostrando onde essas franquias acertaram ou erraram e o que pode funcionar no futuro. A tendência é que universos compartilhados continuem sendo explorados, mas com mais cautela e foco na qualidade.

