Grandes empresas de tecnologia como OpenAI, Meta e Google têm investido pesado no desenvolvimento de agentes de inteligência artificial (IA) capazes de executar diversas tarefas online, como fazer reservas, organizar e-mails e até comprar produtos. No entanto, vários sites populares têm bloqueado esses agentes, impedindo que eles funcionem livremente na internet.
Esse cenário cria um impasse entre as promessas das gigantes da tecnologia e a resistência de plataformas que buscam proteger seus dados e a experiência dos usuários. No EventiOZ, apresentamos os detalhes desse conflito que pode impactar o futuro do uso da IA no dia a dia online.
Bloqueios em grandes plataformas: segurança e licenciamento de dados
Nas últimas semanas, usuários de assistentes virtuais como Muse (Meta), Grok (xAI), Dots (OpenAI) e o agente da Instinct reportaram dificuldades para que seus agentes conseguissem operar normalmente em diversos sites. Por exemplo, a Delta Air Lines bloqueou a capacidade desses agentes de reservar passagens aéreas, enquanto a Yelp exige que agentes de IA participem de seu programa de licenciamento de dados para permitir o acesso.
Além disso, instituições financeiras como JPMorgan Chase e Charles Schwab afirmam restringir esses agentes para evitar riscos de segurança, o que evidencia uma preocupação crescente no setor. Empresas como Cars.com e Amtrak também parecem ter barrado o uso desses agentes, indicando que o bloqueio pode estar se espalhando silenciosamente.
Amazon trava batalha judicial contra agentes de IA
O combate ao avanço dos agentes de IA nas plataformas online já é antigo para alguns. Em 2025, a Amazon proibiu o uso do recurso de compra automática da Perplexity, uma startup de IA, e chegou a processar a empresa. A gigante do comércio eletrônico argumentou que seus agentes deveriam operar de forma transparente e respeitar as regras dos sites, principalmente para preservar a exibição dos anúncios à audiência humana.
Por outro lado, a Perplexity defendeu que seu agente funciona como uma extensão do próprio usuário e que Amazon estaria negando o direito de contratar um assistente digital para facilitar tarefas. Uma decisão judicial chegou a ordenar a suspensão do recurso da Perplexity, mas um tribunal de apelações reverteu essa ordem em agosto e o processo continua em andamento, com a Amazon apresentando uma nova queixa.
Agentes de IA enfrentam restrições técnicas e políticas
Mesmo diante das dificuldades, OpenAI, Meta e Google continuam desenvolvendo seus agentes autônomos, mas o acesso a algumas plataformas está cada vez mais complicado. Relatos apontam que o assistente Muse, da Meta, teve o acesso proibido ao site da Amazon por infração às políticas, e agentes como Grok e Dots também enfrentam bloqueios similares.
Elon Musk, proprietário da xAI, chegou a comentar ironicamente sobre criar um concorrente para a Amazon, refletindo o desafio que as empresas enfrentam para estabelecer agentes úteis que operem em larga escala. Esses obstáculos diminuem a funcionalidade dos agentes, que deveriam facilitar a vida digital dos usuários.
Segurança, anti-bots e o impacto no uso da IA na web
Além das barreiras diretas, muitos agentes esbarram em sistemas anti-bots que estão por toda parte na internet. Essas ferramentas são projetadas para bloquear atividades suspeitas e impedir fraudes, mas acabam barrando também agentes legítimos de IA. Usuários relatam problemas para usar Muse em contas Google e dificuldades para concluir compras em sites como o Walmart, mesmo com parcerias em andamento.
O provedor de infraestrutura web Cloudflare tem intensificado a proteção contra bots, oferecendo bloqueios rápidos para crawlers de IA. Desde 2025, o foco é conter crawlers que capturam dados tanto para indexação quanto para treinar modelos de IA, o que gera sobrecarga na infraestrutura da internet e prejudica experiências de compra e reserva online.
Vale a pena investir em agentes de IA diante dos bloqueios?
A persistente resistência das plataformas digitais levanta dúvidas sobre o real valor e alcance dos agentes de IA para tarefas na web. Ainda que a promessa seja que essas tecnologias revolucionem a maneira como interagimos online, o bloqueio por parte de sites limita suas funcionalidades essenciais.
Marcas tentam contornar essa dificuldade. Meta, por exemplo, tem parceria com varejistas como Walmart, Gap e Sephora para permitir que seus agentes façam compras nesses sites. Shopify também abriu seu ecossistema para agentes de IA, abrindo caminhos alternativos.
No EventiOZ, continuaremos acompanhando esse embate que envolve inovação, segurança e experiência do usuário, além de impactos em outras áreas, como o surgimento de dispositivos inteligentes para casa, uma tendência próxima de crescer, assim como o avanço da IA.

