Star Trek é uma referência histórica na televisão de ficção científica. Apesar da importância da franquia, novos títulos mostram que é possível inovar no gênero space opera sem se apoiar em décadas de legado. Desde finais dos anos 2010, muitas produções apostam em abordagens mais ousadas e universos complexos que fogem do ideal utópico tão presente em Star Trek.
Essas séries trazem narrativas mais conectadas, universos sombrios e protagonistas com dilemas reais, oferecendo uma experiência diferente para quem busca algo além do clássico. A partir dessa perspectiva, selecionamos oito títulos de space opera que conquistaram fãs e críticos ao entregar elementos que a franquia de Star Trek nem sempre explorou.
Menções Honrosas
Andor (2022–2024) é uma produção ambientada no universo Star Wars, mas se destaca como um thriller político de alta qualidade. Apesar disso, não entra na lista principal por não ser uma space opera original, embora mereça ser reconhecida entre as melhores da ficção científica.
Outra menção vai para Dark Matter (2024–presente), adaptação do livro de Black Crouch para Apple TV. A série tem clima de thriller, com trama bem amarrada, mas não se enquadra totalmente como space opera, por isso fica nas honrarias. Já Killjoys (2015–2019) é uma série que combina humor e drama em cinco temporadas, porém teve pouca atenção por ser exibida no Syfy, sendo uma boa opção para quem quer algo mais leve.
The Orville (2017–2022): A space opera que Star Trek moderno esqueceu de fazer
Mesmo recebendo críticas negativas no lançamento, The Orville conquistou milhões de fãs que apreciaram seu jeito único de contar histórias no espaço. Criada por Seth MacFarlane, a série equilibra momentos engraçados com dilemas morais profundos, mostrando uma tripulação com relações autênticas e complexas.
A transição para o Disney+ ampliou seu público, principalmente aqueles acostumados ao universo Star Wars, mas que buscavam algo diferente. A terceira temporada é apontada por muitos como o ponto mais alto da série, oferecendo um enredo sólido e personagens mais desenvolvidos.
Stargate SG-1 (1997–2007): 10 temporadas e um legado de ficção científica
Stargate SG-1 entrou para o Guinness Book como a série de ficção científica de maior duração da América do Norte, com 214 episódios em dez anos, superando até The X-Files. Surgiu como continuação de um filme mediano de 1994 e evoluiu para uma franquia de sucesso por construir um universo próprio detalhado.
Com um protagonista carismático e diferente do típico herói, Richard Dean Anderson interpretou Jack O’Neill de forma autodepreciativa e competente. A série recompensará espectadores pacientes, especialmente a partir da quarta temporada, quando os arcos se tornam mais profundos.
Foundation (2021–presente): A difícil adaptação de Asimov ganha vida
A trilogia Foundation, de Isaac Asimov, considerada uma das maiores obras da ficção científica, demorou mais de 70 anos para ser adaptada para a TV. A série da Apple TV tem produção luxuosa e expande significativamente o material original, trazendo uma narrativa complexa sobre o futuro de civilizações e matemática preditiva.
Se você leu os livros, pode estranhar as mudanças, pois a adaptação toma liberdades criativas, adicionando personagens e subtramas. Foundation exige audiência atenta e comprometida, principalmente a partir da segunda temporada, quando o enredo se torna ainda mais impactante.
Farscape (1999–2003): A espacialidade emocional e estranha da Jim Henson Company
Produzida pelo Jim Henson Company para o canal Sci-Fi, Farscape se destacou por sua abordagem emocional intensa e personagens únicos, incluindo marionetes como Rygel e Pilot. A série vai além das aventuras tradicionais, explorando desintegração psicológica com criatividade e profundidade.
Apesar do visual datado em alguns momentos, a série desafia quem busca apenas segurança estética, investindo em tons variados que transitam entre comédia física e horror psicológico, fazendo do público um cúmplice em sua jornada complexa.
Firefly (2002): 14 episódios que deixaram legião de fãs
Firefly é mais do que uma aventura espacial; é um retrato de personagens presos numa realidade dura e marginalizada. Cancelada precocemente pela Fox com episódios fora de ordem, a série manteve sua aura cult, mostrando uma tripulação carismática e verdadeira que conquistou fãs na base da emoção.
Quem ainda não viu deve seguir a ordem correta dos episódios para aproveitar sua força narrativa. A sequência em forma de filme, Serenity, encerra algumas pontas, mas altera elementos que faziam da série algo tão especial.
Babylon 5 (1993–1998): Pioneiro em narrativas seriadas de prestígio
Babylon 5 foi uma das primeiras séries a planejar sua história com início, meio e fim desde a estreia, influenciando muitos dramas prestigiados posteriores. Criada por J. Michael Straczynski, conta com 92 de seus 110 episódios escritos por ele, garantindo uma consistência rara.
É uma obra para quem gosta de acompanhar tramas que se desenvolvem lentamente, com recompensas emocionais palpáveis nas temporadas seguintes. O ponto fraco fica nos efeitos visuais, que não envelheceram bem, o que pode afastar quem prefere mais impacto visual imediato.
Battlestar Galactica (2004–2009): Uma das ficções científicas mais intensas e sem concessões
Reconhecida com múltiplos prêmios e indicações, Battlestar Galactica é um marco que leva a ficção científica a outro patamar. Sua abordagem é crua e realista, desafiando o otimismo convencional do gênero e mostrando personagens moralmente ambíguos em situações extremas.
O episódio “Pegasus” exemplifica seu tom implacável. A série é indicada para quem quer uma história contundente que não releva nem o público, nem os protagonistas em momentos difíceis.
The Expanse (2015–2022): Aclamada e cancelada, mas a melhor sci-fi hard
The Expanse é um exemplo de como a física e a política no espaço podem ser inseparáveis em uma narrativa. A série mostra como a vida se adapta diante da escassez e da ideologia em um ambiente hostil, construindo uma mitologia densa e realista.
Apesar do sucesso crítico com temporadas perfeitas, nunca foi indicada ao Emmy, talvez pela complexidade e ritmo lento. Exige paciência para os primeiros episódios, mas recompensa com uma progressão constante que mantém o espectador fascinado até o fim.
Vale a pena assistir a essas séries de space opera?
Se você é fã de space opera e sente que Star Trek não entrega mais o que espera, essas oito séries se destacam por trazerem narrativas inovadoras que exploram diferentes lados do gênero. Seja em política complexa, emoção intensa, ou ambientes hostis e realistas, há opções para todos os gostos.
EventiOZ recomenda dar uma chance a esses títulos, que ampliam os horizontes da ficção científica de forma relevante. Muitas delas estão disponíveis em diferentes serviços de streaming, formando um catálogo excelente para quem quer maratonar histórias espaciais com qualidade.

