Os Estados Unidos intensificam a construção de instalações para combustíveis fósseis enquanto a demanda por energia avança rapidamente no país. A expansão dos data centers, indústrias e veículos elétricos tem impulsionado o consumo, enquanto, no mesmo período, o crescimento das fontes renováveis desacelera.
Relatório recente da organização ambiental Environmental Defense Fund e da empresa de pesquisa Atlas Public Policy alerta para a influência da administração Trump na priorização dos combustíveis fósseis frente ao desenvolvimento de energias renováveis. As decisões tomadas agora podem determinar a matriz energética e os custos para os próximos anos.
Demanda crescente por energia e o papel dos combustíveis fósseis
A eletricidade necessária para alimentar data centers ligados à inteligência artificial, fábricas e veículos elétricos está aumentando em ritmo acelerado. Apesar disso, a administração Trump tem adotado medidas para dificultar o avanço da energia solar e eólica, que enfrentam bloqueios de projetos, retirada de incentivos fiscais e suspensão de autorizações.
Enquanto a energia renovável ainda cresce, muitos dos projetos atuais são resíduos de incentivos da gestão Biden, mas a forte atuação governamental tem influenciado diretamente na desaceleração deste segmento. O resultado é que os combustíveis fósseis voltam a ganhar espaço para atender essa demanda energética.
Nova infraestrutura de combustíveis fósseis em expansão
Segundo o relatório, a fatia da capacidade instalada para energia a partir de gás natural saltou de 5% em 2024 para 30% no segundo trimestre de 2026. Caso a tendência se mantenha, até 2030 os combustíveis fósseis podem responder por até 70% da nova infraestrutura energética no país.
Na prática, a capacidade planejada para instalações fósseis deve chegar a 68 gigawatts em 2030, um aumento de 45% em relação aos planos de construção registrados seis meses antes. Essa expansão pode causar maiores emissões de poluentes e elevar os custos da eletricidade a médio e longo prazo.
Impactos da escolha energética para o futuro dos EUA
A matriz energética americana ainda é composta por cerca de 60% de fontes fósseis, mas as energias renováveis avançaram em ritmo acelerado. Em 2024, somadas, a energia eólica e solar geraram mais eletricidade que o carvão pela primeira vez. O solar, por exemplo, representou 81% da nova capacidade instalada naquele ano e se tornou a fonte mais barata em muitos locais globalmente.
Contudo, com o governo atual voltando a apostar nos combustíveis fósseis, há risco de “travar” esta volatilidade positiva das renováveis. A escalada da infraestrutura fósseis pode resultar em preços mais voláteis, especialmente após tensões internacionais recentes, como a crise entre EUA e Irã. Além de gerar poluentes e gases do efeito estufa, a dependência maior dos fósseis pode elevar contas de luz à medida que redes e sistemas são ampliados.
Projetos renováveis enfrentam mais cancelamentos que os fósseis
Apesar do custo médio menor de novos parques solares e eólicos, que fica entre 68 e 69 dólares por megawatt-hora, contra 90 dólares para usinas de gás natural, os projetos de energia limpa têm sido cancelados em maior proporção. Enquanto 4,9% dos projetos renováveis foram interrompidos, os de combustíveis fósseis tiveram uma taxa de cancelamento menor, de 2,9%.
Parte dessa pressão vem das demandas energéticas específicas para grandes data centers que atendem a tecnologias como a inteligência artificial, que requerem muita energia. Isso mantém a aposta em combustíveis fósseis, mesmo diante dos custos e impactos ambientais. Na visão do EventiOZ, essa movimentação no setor energético permanece estratégica e crucial para a evolução da matriz nos próximos anos.
A retomada dos combustíveis fósseis vale a pena?
Embora a retomada dos combustíveis fósseis responda a uma crescente necessidade imediata por energia, especialmente para infraestrutura tecnológica, essa tendência pode limitar ganhos ambientais e econômicos a médio prazo. O cenário desenhado indica que, enquanto o investimento em renováveis sofre desaceleração e interferências políticas, a volta do gás natural e do carvão pode frear a transformação energética que muitos esperavam para os EUA.
Este contexto reacende o debate sobre a melhor forma de equilibrar demanda crescente, segurança energética e compromisso ambiental em um mundo cada vez mais digital e conectado, além de trazer à tona as consequências políticas dessa escolha no horizonte das próximas décadas.

