O longa dedicado à vida de Michael Jackson gerou opiniões divididas desde seu lançamento em 2026. Enquanto a crítica reprova o filme, que soma apenas 38% no Rotten Tomatoes, os fãs têm reagido melhor, com uma nota 7,6 no IMDb. A abertura nos cinemas dos Estados Unidos também impressiona, com projeção de arrecadação de US$ 70 milhões.
Um dos principais pontos de discordância é o final do filme, que acontece de maneira inesperada e encerra a história em 1988, período considerado o auge da carreira do artista. A ausência das décadas seguintes, que incluem várias controvérsias, incomodou parte do público. Entender as razões por trás dessa decisão é o foco deste texto, que também aborda as possíveis consequências legais e o futuro da produção.
Antoine Fuqua encerra o filme durante os anos de auge de Michael Jackson
A sequência final mostra Michael Jackson em uma apresentação vibrante da turnê “Bad” em Wembley, Inglaterra. Essa turnê, sua primeira solo mundial após a saída do grupo Jackson Five, visitou 15 países e faturou US$ 125 milhões, consolidando-se como uma das mais bem-sucedidas da história musical.
Críticos apontam que a escolha do diretor Antoine Fuqua exclui grandes momentos posteriores, como o icônico show do intervalo do Super Bowl XXVII, e ignora acontecimentos decisivos, como as acusações de abuso sexual infantis surgidas a partir de 1993. Fora isso, o filme foca na relação difícil entre Michael e seu pai Joe, interpretado por Colman Domingo, que tenta impedir que a carreira solo do filho afete o sucesso do Jackson 5.
O longa também aborda o acidente com pirotecnia nas filmagens do comercial da Pepsi em 1984, que causou graves queimaduras no couro cabeludo do cantor. Ali se iniciam seus problemas com o uso de analgésicos. Embora Fuqua trate de forma adequada esse momento, a interferência da família e dos advogados limitou a abordagem de aspectos mais profundos da vida do astro.
Ausência das acusações de abuso sexual por questões legais
Inicialmente, o roteiro previa começar com uma cena emblemática de 1993, quando Michael Jackson encarou as primeiras acusações de abuso sexual infantil. A sequência mostraria investigadores na propriedade Neverland, pesquisando objetos pessoais do cantor. Essa parte foi descartada antes da estreia.
Segundo informações, advogados que representam o espólio de Jackson encontraram uma cláusula em acordo que impede mencionar o nome do denunciante Jordan Chandler. Por isso, a equipe precisou refilmar o terceiro ato, ampliando cenas dos primeiros anos, o que elevou o orçamento em US$ 10 a 15 milhões. O espólio arcou com os custos extras por reconhecer o erro de não ter identificado o impedimento antes.
Este fator explica o tom menos sombrio do filme e o fim antecipado da narrativa. O resultado é um longa que deixa muitas lacunas, especialmente sobre uma das fases mais controversas da carreira e vida pessoal do artista.
Implicações legais e expectativas para uma possível sequência
Embora não estivesse previsto originalmente, um possível segundo filme já é tema de debate nos bastidores. A produção incluiu um texto final dizendo “a história continua”, sinalizando uma sequência futura. No entanto, a legislação e os acordos com o espólio impõem barreiras para abordar certos episódios.
Os produtores da Lionsgate afirmam que estão prontos para continuar a história se a audiência mostrar interesse, algo incomum para biografias musicais. A continuação poderia explorar outras polêmicas, como o episódio de 2003 envolvendo Gavin Arvizo, e o consequente julgamento de 2005 que resultou na absolvição do cantor.
O relacionamento de Jackson com a mídia e a justiça nos anos 1990 e 2000, suas mudanças de residência — de Neverland para Bahrain, Irlanda e Las Vegas — e as questões financeiras também são temas possíveis para aprofundar a saga. Se o público mostrar entusiasmo, o filme pode ganhar uma nova fase, ampliando a compreensão sobre a complexa trajetória do astro.
Aspectos inexplorados do legado de Michael Jackson no cinema
Além dos escândalos, o período pós-julgamento de Michael Jackson traz eventos importantes para a história do artista. A gestão de seus negócios, incluindo a compra da Famous Music LLC com direitos sobre artistas como Eminem e Beck, ganha destaque. Também ficou marcado pela tentativa frustrada de residência em Londres.
Esses elementos podem enriquecer um eventual segundo filme e ajudar o público a conhecer facetas menos exploradas da vida do Rei do Pop. A possibilidade de sequências e o debate sobre os limites impostos por acordos legais indicam que a trajetória cinematográfica de Michael Jackson ainda está longe de ser concluída.
Vale a pena assistir Michael?
O filme Michael entrega um retrato parcial, focado nos primeiros anos e no auge do artista, mas com importantes omissões. A ausência das controvérsias posteriores pode decepcionar quem buscava uma narrativa mais completa. Por outro lado, as cenas da juventude e da ascensão foram bem produzidas e oferecem momentos emocionantes.
Para quem gosta de biografias musicais e quer conhecer a construção da lenda pop de forma mais leve, a produção pode ser uma boa pedida. Já os interessados nas polêmicas e nas complexidades da vida do cantor podem aguardar por possíveis continuações, que prometem trazer mais detalhes sobre essas fases.
O EventiOZ permanece atento às novidades sobre este lançamento e possíveis desdobramentos, como a produção de uma sequência e o impacto nas bilheterias. Enquanto isso, o filme segue em cartaz, gerando debates e curiosidade em públicos variados.

