O que “The Social Reckoning” acerta e erra ao retratar os bastidores do Facebook

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    A nova produção de Aaron Sorkin, The Social Reckoning, mistura elementos reais e ficcionais ao contar a história de Frances Haugen, ex-gerente do Facebook que vazou documentos internos da empresa. O filme acompanha a trajetória que resultou na divulgação da série de reportagens “The Facebook Files” pelo Wall Street Journal, além do depoimento da whistleblower no Congresso dos EUA.

    Apesar do destaque para momentos chave da investigação, a obra toma liberdades artísticas, com mudanças no cronograma dos fatos e diálogos dramatizados. Ainda assim, apresenta dados polêmicos sobre os problemas da plataforma, como o funcionamento do algoritmo, a moderação de conteúdo e os impactos na saúde mental de jovens.

    A base real da trama e a atuação de Mikey Madison

    No filme, Frances Haugen, interpretada por Mikey Madison, é retratada como uma funcionária que acredita no Facebook e deseja “salvar” a empresa. Essa mensagem é fiel à declaração pública da própria Haugen, que em maio de 2021 declarou em uma mensagem interna que amava a plataforma.

    O roteiro de Sorkin captura eventos como a entrega dos documentos a Jeff Horwitz, repórter do Wall Street Journal, e a posterior exposição das falhas da rede social. A personagem personifica o conflito entre os desejos de mudar a empresa por dentro e o peso dos interesses corporativos, mostrando cenas de depoimento e o impacto de seus atos em audiências globais e demandas judiciais contra a Meta.

    Ficção e cronologia alterada no filme

    Uma das principais diferenças em relação à realidade está na linha do tempo. O filme condensa ações, alinhando eventos de 2021, como a audiência de Mark Zuckerberg no Congresso e a publicação do primeiro relatório dos Facebook Files, ao mesmo dia, 6 de janeiro, data da invasão ao Capitólio americano. Na vida real, Zuckerberg testemunhou em março, e as reportagens só saíram meses depois, em setembro.

    Além disso, o filme inclui cenas ficcionais, como a história de uma amiga radicalizada de Haugen – inspirada em relatos reais, mas criada para dar um tom emocional à narrativa. O diálogo com um investidor fictício, personagem inspirado no crítico Roger McNamee, também foi reinventado para evitar problemas legais.

    Revelações sobre os algoritmos e riscos da plataforma

    A trama detalha a descoberta de que o algoritmo do Facebook, a partir de 2018, valoriza interações sociais significativas, como reações e compartilhamentos, ao invés de simples curtidas. Essa mudança, segundo os documentos vazados, teria impulsionado o engajamento com conteúdos polarizadores e tóxicos.

    Uma das frases-chave do filme, de que 64% das pessoas que ingressaram em grupos extremistas foram levadas até lá pelo algoritmo, tem base em uma apresentação interna de 2016, citada em reportagem real de 2020. A empresa negou que hoje use o mesmo modelo e afirmou estar implementando melhorias.

    O longa também aborda uma polêmica pesquisa interna que mostrou que o Instagram prejudicava a imagem corporal de adolescentes, especialmente garotas. Esse estudo é real e teve forte repercussão pública, levando a Meta a suspender o desenvolvimento do “Instagram Kids”.

    Os dilemas éticos e a relação entre Haugen e Horwitz

    No filme, a interação entre Haugen e Horwitz, responsável pelas reportagens, expõe o delicado equilíbrio ético entre manter o sigilo dos documentos e garantir a divulgação dos fatos. Seus encontros, inclusive em trilhas na natureza, ilustram a construção da confiança para o vazamento.

    Na verdade, Haugen escolheu Horwitz por considerá-lo menos sensacionalista e manteve contato com ele mesmo após se mudar para Porto Rico, onde trabalharam juntos para reunir mais provas. Essa parceria mantém fidelidade em relação às reportagens que revelaram problemas de políticas internas da companhia.

    Vale a pena assistir “The Social Reckoning”?

    O filme oferece uma visão dramatizada, porém baseada em fatos relevantes do escândalo do Facebook, ideal para quem quer entender um pouco mais sobre os processos internos da empresa. Porém, é importante destacar que a obra abre espaço para ficção em cenas e cronologias.

    Quem se interessa por tecnologia, redes sociais e políticas corporativas, pode aproveitar para refletir sobre as complexidades do poder das plataformas e os desafios de sua regulação, tema que dialoga diretamente com outras notícias recentes do universo digital no EventiOZ.

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