O filme Hokum, dirigido pelo cineasta irlandês Damian McCarthy, tem chamado atenção por seu terror atmosférico e enredo complexo. O longa acompanha Ohm Bauman, interpretado por Adam Scott, que visita um hotel na Irlanda para espalhar as cinzas dos pais e tentar encontrar algum tipo de paz. Durante a estadia, ele se envolve em um mistério sombrio e acaba preso em uma suíte do hotel, enfrentando tanto fantasmas de seu passado quanto forças maléficas.
Com uma trama cheia de suspense e elementos sobrenaturais, o filme aborda temas como culpa, perdão e justiça. A atmosfera opressiva e os sustos bem construídos contribuem para tornar Hokum um destaque recente no gênero horror. Adam Scott se destaca como o personagem marcado por anos de arrependimento, envolvido em uma busca tanto por redenção quanto por sobrevivência.
A verdadeira vilã de Hokum não é a bruxa
A bruxa da Floresta Bilberry, que aparece assombrando o porão do hotel, é apresentada inicialmente como a grande antagonista do filme. No entanto, conforme a narrativa avança, fica claro que ela funciona mais como uma força da natureza do que um vilão tradicional. Um dos grandes revelações do roteiro mostra que Mal, gerente do hotel, é o verdadeiro responsável pelo assassinato de Fiona, a bartender grávida.
Ao descobrir o corpo de Fiona, Ohm desencadeia a ira de Mal, que o prende na suíte nupcial, onde ele enfrenta a bruxa. A vingança, então, não é da bruxa contra Ohm, mas contra Mal, que acaba sendo levado à punição sobrenatural. A figura da bruxa passa a representar uma justiça implacável, prendendo Mal no porão e o arrastando para um portal infernal. Essa surpresa na trama dá mais profundidade ao enredo, elevando a personagem da bruxa para além de um mero ser assustador.
Quem realmente salvou Ohm da bruxa?
Na trama, Ohm quase tem sua alma tomada pela bruxa quando não consegue traçar o círculo protetor de giz, mas é salvo por aparições espirituais. A primeira é a de sua mãe, cujo perdão pelo acidente que causou a própria morte é um ponto chave para a redenção do protagonista.
Além disso, o espírito de Fiona tem um papel decisivo para a sobrevivência de Ohm. Ela ativa uma gravação que informa cada detalhe do crime e ajuda o protagonista a evitar o porão sem saída. No momento em que Ohm desmaia por inalar fumaça, Fiona ajuda a chamar a atenção de Fergal, que consegue localizá-lo. São essas forças benevolentes que garantem a chance de Ohm recomeçar.
O significado do apresentador do programa infantil assustador
Um dos elementos mais perturbadores do filme é o personagem “Jack”, o coelho que aparece como uma figura macabra nas alucinações de Ohm. Na verdade, Jack é um personagem de um programa infantil dos tempos de infância de Ohm. O protagonista estava assistindo ao programa no momento da tragédia envolvendo sua mãe.
Jack simboliza a culpa e a autoaversão que consomem Ohm há décadas. A versão distorcida do personagem representa sua luta interna contra a culpa, o que alimenta seus problemas com depressão, alcoolismo e, por fim, a tentativa de suicídio. Essa associação torna significativamente pessoal o horror vivido por Ohm, conectando traumas da infância ao terror sobrenatural.
Explicando as cenas do livro “The Conquistador”
As cenas relacionadas ao livro de Ohm, “The Conquistador”, funcionam como metáforas para sua jornada emocional. Inicialmente, o personagem do livro está disposto a matar uma criança para continuar seu caminho violento, espelhando a visão desesperançada do protagonista sobre si e o mundo.
No desfecho, porém, essa dinâmica muda. O Conquistador sacrifica-se para salvar a criança, mostrando uma mudança que simboliza o processo de Ohm de aceitar a culpa e começar a se perdoar. Essas cenas delimitam o arco do personagem, evidenciando um passo em direção à recuperação.
Hokum vale a pena?
Hokum é uma obra que mistura terror sobrenatural com drama psicológico, encaixando-se bem para fãs do gênero e para quem valoriza histórias com camadas emocionais. Com atuações fortes, especialmente de Adam Scott, e uma direção que explora o suspense e a atmosfera, o filme entrega tanto sustos quanto reflexão.
O roteiro trabalha temas profundos como perdão, justiça e culpa, sem abrir mão do impacto visual e do ritmo envolvente. Para quem acompanha produções recentes de horror e gosta de tramas que combinam mistério com simbolismos, Hokum traz uma experiência completa e marcante. O título merece destaque no cenário atual, especialmente para aqueles que buscam algo além do simples susto.
O EventiOZ recomenda a atenção para esse filme, que além de assustar, provoca uma imersão única no universo de sentimentos conflituosos e monstruosidades interiores. Esse tipo de narrativa tem ganhado espaço em projetos mais elaborados, em um movimento similar a outras obras que discutem famílias disfuncionais e questões pessoais profundas.

