Em 2023, a série Ahsoka, disponível no Disney+, trouxe uma mudança significativa para o universo Star Wars. O enredo mostrou que o Almirante Supremo Thrawn e Ezra Bridger ficaram presos em uma galáxia totalmente distinta, separada da conhecida onde os filmes originais da franquia acontecem. Essa explicação serve para justificar a ausência de Thrawn nos eventos da trilogia clássica.
Essa manobra criativa, entretanto, causou controvérsias entre os fãs e especialistas. Ao decidir que personagens centrais viajariam para outro sistema galáctico, a produção da Disney rompeu uma das regras mais antigas do criador George Lucas, que estabelecia que toda a saga deve ocorrer “em uma galáxia muito, muito distante”.
Star Wars sempre foi ambientada em “uma galáxia” distante e única
Desde o lançamento do primeiro filme, em 1977, a essência de Star Wars repousava na ideia de um universo estrelado único, repleto de mundos diversificados, espécies exóticas e culturas distintas – tudo dentro da mesma galáxia. A icônica frase “em uma galáxia muito, muito distante” é simples, mas foi fundamental para moldar a identidade da saga.
Ao introduzir a existência de outra galáxia, a narrativa de Star Wars sofre uma mudança estrutural profunda. O que antes era um convite à imaginação ilimitada virou um conceito restrito, com fronteiras astronômicas definidas que rompem o encanto original da franquia. Talvez a decisão pudesse ter sido justificável se o novo cenário tivesse características visuais ou biológicas tão diferentes que parecessem externas ao universo clássico, mas esse não é o caso.
O planeta Peridea, apresentado na série, não contém elementos que destoem da familiaridade do universo Star Wars. Isso levanta a dúvida: por que criar uma outra galáxia para essa história? A justificativa parece ser explicar a ausência de Thrawn e Ezra na trilogia original, mas a escolha soa forçada, já que o próprio enredo poderia ter recorrido ao já estabelecido “Regiões Desconhecidas”.
Regiões Desconhecidas seriam uma solução mais coerente
No cânone oficial de Star Wars, as Regiões Desconhecidas são áreas de espaço inexplorado, perigosas e envoltas em mistério. Conforme descrito no livro Aftermath: Empire’s End, escrito por Chuck Wendig, essas regiões são inacessíveis e protegidas por tempestades solares, campos gravitacionais e outros fenômenos incomuns.
O Imperador Palpatine investiu recursos consideráveis para mapear essas áreas. Elas são usadas na narrativa para explicar a fuga dos remanescentes do Império e o surgimento da Primeira Ordem, mantendo-se dentro da mesma galáxia. Por isso, muitos acreditam que os personagens Thrawn e Ezra poderiam perfeitamente estar presos nessas Regiões Desconhecidas, ao invés de uma galáxia totalmente nova.
Essa abordagem manteria a coerência do universo e alinharia melhor a cronologia e o desenvolvimento dos acontecimentos, como a ponte direta entre o Império e a Primeira Ordem. A permanência dos personagens na mesma galáxia evitaria rupturas desnecessárias na mitologia da saga, algo valorizado por gerações de fãs.
Outro universo quebra tradição criada há 46 anos por Lucas
George Lucas sempre afirmou que Star Wars deveria ser contada dentro do contexto de “uma galáxia distante e única”, e essa regra se tornou um pilar criativo. Enquanto algumas inovações da era Disney, como a reintrodução de personagens ou debates sobre o destino de Luke Skywalker, geraram discussões naturais, a existência de outra galáxia é vista como uma quebra radical.
Entre as decisões polêmicas que alteraram a forma e a essência de Star Wars desde que a Disney assumiu a saga, essa é considerada uma das mais controversas. Diferente de questões internas de enredo, a criação de um outro espaço galáctico interfere diretamente na construção do universo, limitando sua abertura e criando barreiras narrativas.
Para fãs e especialistas, isso representa uma das maiores mudanças desde a introdução dos midi-chlorians, uma inovação que também dividiu opiniões. Essa decisão mexe diretamente com o DNA da franquia e desafia o conceito original que cativou o público por quase cinco décadas.
O que a escolha da outra galáxia significa para o futuro da franquia?
O planeta Peridea, onde Thrawn e Ezra estão localizados, poderia muito bem ser um planeta dentro das Regiões Desconhecidas, mantendo o enredo coerente. Dessa forma, a jornada de Ahsoka Tano e Sabine Wren para esse local não precisaria abandonar a ideia de “uma galáxia distante”.
Essa escolha narrativa permitiria amarrar melhor os eventos entre a trilogia original e a sequência lançada pela Disney, principalmente a conexão de Thrawn como um vilão intermediário entre a queda do Império e a ascensão da Primeira Ordem. Mantendo tudo dentro da mesma galáxia, a história fica mais fácil de compreender e respeita o legado de George Lucas.
Vale a pena a mudança para uma nova galáxia em Star Wars?
Embora trazer uma nova galáxia ao universo de Star Wars possa parecer uma inovação ousada, ela contraria uma das bases mais sólidas do universo criado por George Lucas. A decisão abre precedentes para possíveis complicações no enredo e na mitologia da franquia.
Por outro lado, a série Ahsoka apresenta visuais modernos e uma narrativa que pode atrair novos públicos, tentando ampliar o alcance da saga. No entanto, para os fãs mais tradicionais, essa ruptura pode soar estranha e até desnecessária.
Assim, no universo de Star Wars, a introdução de outra galáxia é uma aposta arriscada que pode influenciar o modo como a franquia será desenvolvida daqui para frente, deixando claro que a Disney está disposta a romper algumas regras do passado para criar seu próprio caminho.
Este debate sobre a nova galáxia em Star Wars é uma das novidades que movimentam o universo da cultura pop. Para quem acompanha as tendências do entretenimento, como as recentes séries e filmes, é interessante observar como essas mudanças moldam o futuro da saga. Inclusive, fãs de outras produções, como o ator de Stranger Things no spin-off de John Wick, seguem atentos às evoluções das histórias em universos famosos.

