Disney enfrenta crítica com remake ao vivo de Moana e precisa reconsiderar estratégias

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    Com quase uma década desde o lançamento original, Moana ganhou uma versão live-action lançada recentemente pela Disney. Essa foi a regravação mais rápida já feita pelo estúdio para um clássico animado, já que normalmente a espera para essas adaptações ultrapassava duas décadas. A decisão veio em um momento em que a Disney parece esgotar seus clássicos para refazer, e Dwayne Johnson precisava de um projeto forte após o desempenho fraco de Black Adam.

    No entanto, os resultados ainda não são animadores. A produção acumula 36% de aprovação no Rotten Tomatoes, ficando entre as piores notas para live-actions da Disney. Além disso, os números iniciais de bilheteria indicam uma abertura projetada entre 40 e 60 milhões de dólares, evidenciando que o público não está visualizando essa versão como um atrativo suficiente para pagar novamente. Essa situação expõe algumas lições que a Disney precisa absorver ao lidar com remakes ao vivo.

    É hora de repensar a obsessão pelos remakes ao vivo

    Disney fazer versões live-action de seus filmes animados não é novidade, mas a intensidade dessa aposta mudou após 2010, começando com Alice no País das Maravilhas. A proposta inicialmente trouxe novidades interessantes, reinterpretando ícones clássicos como Mogli, Cinderela e Pete’s Dragon com resultados satisfatórios. No entanto, após mais de uma dúzia de remakes, o desgaste da fórmula é evidente.

    Agora, o estúdio está tão focado em manter essa linha que decidiu refazer Moana, filme que completa 10 anos em novembro, e cuja sequência foi lançada menos de dois anos atrás. O fracasso recente de Branca de Neve também indicou para a Disney que o público está cansado dessa estratégia — existe um limite sobre o tempo certo para reviver um clássico. A corrida por remakes pode até continuar, como mostra o live-action de Enrolados já em produção, mas seria prudente frear um pouco. Caso contrário, remakes de Frozen e Encanto podem ser lançados antes mesmo de suas continuações, um passo que parece muito precoce considerando os próximos Frozen 3 e 4.

    Se for fazer remake, não tenha medo de inovar

    Um dos pontos mais criticados em Moana ao vivo é que ele é praticamente uma cópia frame a frame do original. Diferente de outros remakes, como O Rei Leão e A Bela e a Fera, que ainda inseriram mudanças pontuais para criar diferenciais, Moana não oferece nada novo. Nem a música inédita criada para essa versão faz parte da história, aparecendo apenas nos créditos finais.

    A produção também não explorou personagens da sequência ou novos elementos para enriquecer a narrativa. A ideia inicial de incluir o porquinho Pua na aventura foi descartada, possivelmente para não causar reações negativas. Porém, essa falta de inovação só ressalta o quanto a nova produção é inferior ao filme original, sem agregar valor para espectadores que já conhecem a história.

    Catherine Laga’aia entrega boa atuação, diferentemente de outros

    A estrela do live-action, Catherine Laga’aia, não é culpada pelas falhas do filme. Dentro do que foi proposto para seu personagem, a atriz se sai bem. É comum que jovens talentos sofram com a cobrança quando um filme grande decepciona, mas seu desempenho merece reconhecimento. Considerando que seu pai, Jay Laga’ai, participou de Star Wars, ela poderia até ganhar espaço em franquias maiores com um projeto melhor no futuro.

    Já Dwayne Johnson deve encarar o resultado como um sinal para moderar a aposta em blockbusters. O ator tem boa relação com a Disney e poderia usar seu peso para apoiar projetos menores e mais autorais, o que talvez represente uma virada positiva em sua carreira.

    Disney deveria focar mais nas reexibições dos filmes originais

    Uma das motivações para os remakes live-action é manter os clássicos no imaginário do público. Anteriormente, a Disney fazia isso lançando seus filmes nas salas de cinema a cada sete ou dez anos. Essa prática elevou obras inicialmente mal recebidas, como Pinóquio e Bambi, ao status de cult.

    Com o avanço do home video e streaming, a dúvida era se os espectadores pagariam para ver novamente um filme que já possuem. O remake parecia oferecer o “novo” sem abrir mão do conhecido. Porém, gastos como os 250 milhões de dólares investidos no live-action de Moana mostram que talvez fosse mais eficiente reexibir o original, especialmente em meses com pouca concorrência, como janeiro ou setembro.

    Disney enfrenta crítica com remake ao vivo de Moana e precisa reconsiderar estratégias

    O relançamento de O Rei Leão em 2011, por exemplo, rendeu mais de 186 milhões mundialmente, comprovando que o público aceita reencontros nos cinemas. Essa estratégia pode ser uma alternativa melhor para Disney no momento.

    Disney precisa apostar em roteiros originais para live-actions

    Walt Disney Pictures depende excessivamente dos remakes há mais de dez anos. Em 2019, por exemplo, foram três remakes lançados simultaneamente, além de um spin-off e um filme direto para Disney+. O número elevado de refilmagens mostra o esgotamento dessa fonte criativa, o que levou ao risco de refazer um filme tão recente quanto Moana.

    Investir em histórias originais ou roteiros que pareçam inéditos pode ser o caminho para a Disney se reinventar. O estúdio tem histórico de adaptar roteiros mais adultos para público familiar e poderia explorar parcerias com diretores renomados para criar algo fresco. Um filme no estilo Piratas do Caribe, mas com tramas inéditas, ou adaptações de livros juvenis pouco explorados, são exemplos que trariam nova vida às produções.

    Projetos esquecidos como o filme de Big Thunder Mountain mostram potencial que poderia ser resgatado. Se Disney deseja recuperar o prestígio e interesse do público, investir em produções diferentes do habitual pode ser fundamental.

    Vale a pena assistir ao live-action de Moana?

    Apesar da produção contar com um elenco de peso como Catherine Laga’aia e Dwayne Johnson, o filme deixa a desejar em inovação e impacto. A falta de mudanças significativas e a bilheteria abaixo do esperado indicam que essa versão não traz o mesmo entusiasmo do original. Para fãs e curiosos, o remake pode ser uma experiência sem grandes surpresas, sem acrescentar muito ao universo conhecido.

    Se você quer revisitar a história, a melhor opção pode ser assistir novamente à animação original ou aguardar futuras produções da Disney que busquem conquistar o público com propostas novas. Para mais informações sobre lançamentos e análises críticas, o site EventiOZ sempre traz conteúdo atualizado para quem acompanha a indústria do entretenimento.

    Confira também o remake de Moana que estreou abaixo das expectativas e entenda as repercussões no mercado cinematográfico.

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