Dez charges de The Far Side que deixaram leitores confusos ou revoltados

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    As charges de The Far Side marcaram os anos 1980 e 1990 com seu humor absurdo e muitas vezes sarcástico. Apesar da popularidade, várias tirinhas provocaram confusão e até reclamações enfurecidas dos leitores, especialmente em um período onde debates sociais eram intensos e a sensibilidade do público estava em alta. Também é curioso notar o contraste entre a repercussão das charges e a forma como os leitores tentavam decifrar o humor peculiar de Gary Larson.

    Algumas dessas reações são realmente memoráveis e foram registradas em cartas enviadas a jornais e ao próprio Larson. Entre críticas de associações culturais até mal-entendidos sobre temas científicos e religiosos, o cartunista recebeu desde pedidos de explicações até severas reclamações. Vamos relembrar algumas dessas situações curiosas que refletem tanto a época quanto o estilo único do artista.

    O enigma impossível para crianças

    Um caso curioso aconteceu em 1987, quando alunos da quinta e sétima série de uma escola em Springfield, Ohio, enviaram uma carta perguntando o segredo para encontrar 127 eletrodomésticos numa charge de The Far Side. O desenho era uma paródia das tradicionais brincadeiras encontradas em caixas de cereal e revistas infantis, nas quais crianças devem encontrar objetos escondidos.

    Jake Morrissey, editor associado da Universal Press Syndicate, respondeu explicando que a tirinha era uma sátira, com os objetos propositalmente mal escondidos e o número absurdo como resposta inesperada. A intenção, portanto, não foi criar um desafio real, mas sim brincar com esse tipo de conteúdo infantil.

    Queixas por estereótipos culturais

    Outra charge que gerou críticas foi a que fazia referência à “Máfia do Sanduíche”, usando o nome “Luigi” para um personagem. Joseph Scafetta, representante da Comissão para Justiça Social da Ordem Sons of Italy in America, considerou o uso do termo “máfia” e do nome italiano ofensivos, associando-os a estereótipos negativos da cultura italiana.

    Segundo a reclamação, o humor seria mais aceitável se os personagens tivessem nomes de sanduíches comuns, sugerindo que o uso de referências italianas reforçava preconceitos equivocados. Apesar da crítica, a charge seguia o tom leve e irreverente da série.

    Reação à charge que satiriza a ciência

    Uma charge que mostrava cientistas em um laboratório também contrariou alguns profissionais da área médica. Um tecnólogo de laboratório e membro da American Society of Clinical Pathologists criticou a representação dos profissionais como atrapalhados e imprudentes, especialmente pelo personagem que come dentro do laboratório — algo proibido no ambiente real.

    Apesar da reclamação, a charge seguia o padrão de humor irreverente característico de Larson, que frequentemente brincava com estereótipos de cientistas. O autor da carta também reconheceu que tirinhas como as do Mad Magazine poderiam agradar jovens, mas discordava de sua publicação em jornais com grande circulação.

    Controvérsia em torno de charges religiosas

    Gary Larson enfrentou controvérsias especialmente quando tratava de temas religiosos. A charge intitulada “Atos de Deus”, na qual Deus era mostrado realizando ações inusitadas para divertir anjos, irritou um leitor do The Birmingham News que a classificou como uma zombaria do divino.

    O remetente da carta afirmou acreditar que nem mesmo Larson teria como objetivo ridicularizar Deus, mas que a veiculação da charge num jornal familiar indicava um “pensamento distorcido” do cartunista. A reclamação ressaltava também o papel do jornal em permitir esse tipo de conteúdo.

    Confusão sobre o uso do termo “screw” em charge

    O editor do Houston Chronicle chegou a entregar uma reclamação sobre o uso da palavra “screw” numa charge de The Far Side, alegando que o termo era vulgar e se referia a relacionamento sexual. A resposta de Lee Salem, diretor editorial do Universal Press Syndicate, esclareceu que a palavra tem múltiplos significados e que o uso na charge não tinha conotação indevida.

    Além disso, Salem ironizou a reclamação ao mostrar que “não se pode copular com um limite”, exemplo presente no desenho. Essa troca de correspondências é um dos momentos mais engraçados da relação entre leitores, editores e a obra do cartunista.

    Revolta dupla com charges provocativas

    Em 1988, o editor de The Pantagraph, Bill Wills, quase retirou a charge da publicação após o que considerou dois episódios ofensivos próximos um do outro: uma tirinha com um cachorro em cima de um carro, interpretada com conotação sexual, e outra mostrando uma criança dentro de uma garrafa, que dividiu a opinião dos leitores.

    Essa última provocou uma carta de Dennis Harnisch ao The Florida Times-Union, classificando a peça como “horrível” e ofensiva para crianças e leitores. É importante destacar que o próprio Larson garantiu que a charge do cachorro não continha tal interpretação sexual, demonstrando mal-entendidos comuns com seu humor.

    Dez charges de The Far Side que deixaram leitores confusos ou revoltados

    Discussão familiar sobre a charge do freezer

    Existe uma famosa carta da leitora Janet A. Dinerman enviada em 1983 que revela um debate curioso à mesa de jantar: a charge mostrava uma vaca encontrando algo dentro do freezer que dividiu opiniões. O filho acreditava que eram bifes; o marido e a autora da carta acharam que se tratava do estoque de sêmen congelado da fazenda.

    Embora Gary Larson não tenha respondido publicamente, essa disputa familiar mostra como seu humor estimulava interpretações variadas e discussões nada convencionais.

    Crítica sobre humor envolvendo tortura

    Uma charge relacionada à tortura suscitou reclamação do leitor Michael L. Messina, que escreveu ao Des Moines Register classificando o humor sobre o tema como ofensivo. Ele lembrou que, segundo a Anistia Internacional, cerca de um em cada três governos ainda pratica tortura, e criticou o tratamento cômico do assunto.

    O leitor defendeu que a tortura deve ser denunciada, e não reduzir seu impacto com piadas, destacando o lado sério da questão e a ambiguidade do humor diante de temas delicados.

    Leitores que simplesmente não entenderam o humor

    Nem sempre é revolta o que motiva cartas a Gary Larson. Alguns leitores confessaram não ter entendido determinadas tirinhas, pedindo explicações. Um exemplo foi uma charge em que um homem das cavernas passa por uma situação inusitada envolvendo cobras e mamutes.

    O editor Jake Morrissey ajudou a esclarecer o humor, descrevendo que era uma brincadeira com “colocar alguém no seu lugar”, mostrando uma pegadinha entre os personagens da pré-história. Situações confusas como essa mostram que o humor de The Far Side nem sempre é facilmente acessível.

    Reações negativas ao humor canino em charges

    Por fim, uma charge que brinca com o que os cães mais detestam irritou alguns leitores, principalmente mães, que não acharam apropriado o conteúdo para um suplemento infantil. Cartas ao jornal Herald Statesman e ao Times criticaram a presença da charge ao lado de tirinhas consideradas mais “família”, pedindo sua retirada da seção.

    Até mesmo crianças, como a pequena April, manifestaram estranhamento pela charge, considerada por ela inadequada à sua visão cristã. Porém, fãs e o próprio Larson sempre destacaram seu carinho pelos cães, reforçando que o humor era leve e nunca cruel.

    Vale a pena conhecer essas polêmicas de The Far Side?

    Para fãs de quadrinhos e humor gráfico, entender as controvérsias de The Far Side ajuda a enxergar os limites e desafios da sátira em diferentes épocas. A série não apenas divertiu milhares, mas também provocou reflexões e diálogos incomuns para a época.

    Essas situações capturam a essência do humor ácido nas charges e o impacto que podem ter, seja para entreter leitores ou para gerar debates inesperados. E você, já se surpreendeu com alguma charge de The Far Side? No EventiOZ, revisitamos essas histórias para mostrar a força da criatividade de Gary Larson mesmo diante das críticas.

    Há um contraste interessante entre o humor da época e a reação dos leitores, o que convida a navegar menos pelo riso óbvio e mais pela percepção cultural em que The Far Side estava inserido. Essa perspectiva também se conecta com outros fenômenos culturais recentes, como as novidades em séries da Disney+ e Hulu.

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