O Congresso dos Estados Unidos aprovou uma verba de US$ 70 bilhões destinada ao Departamento de Segurança Interna (DHS) para os próximos três anos. A medida é parte do plano do ex-presidente Donald Trump para ampliar o programa de deportações em massa. A votação foi apertada e seguiu divisões partidárias claras nas duas casas legislativas.
Com isso, a administração Trump terá recursos reforçados para avançar em sua política migratória, especialmente em ações coordenadas por agências como o ICE e a Patrulha de Fronteira. A aprovação ocorre em um momento de grande crítica pública ao DHS, que enfrenta resistência diante de denúncias e controvérsias recentes.
Votação apertada e alinhamento partidário
A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de financiamento com 214 votos a favor e 212 contra, na última terça-feira. A aprovação já havia recebido o aval do Senado na sexta-feira anterior, com placar de 52 a 47. O resultado reflete uma forte polarização política, com quase todos os republicanos apoiando a proposta, enquanto nenhum democrata votou a favor.
O processo de aprovação utilizou o mecanismo de reconciliação orçamentária, esvaziando a possibilidade de obstrução por parte dos democratas. A única exceção entre os republicanos foi a senadora Lisa Murkowski (Alasca), que se posicionou contra o projeto. Entre os deputados, Tim Walberg (Michigan) mudou seu voto de negativo para positivo após conversas com líderes da Casa.
Conflitos em torno dos fundos e reformas propostas
Os democratas tentaram bloquear a liberação de um fundo de US$ 1,8 bilhão destinado ao combate à “armazenamento de armas”, que beneficiaria pessoas que alegam ter sido prejudicadas pelo governo federal. Críticos classificam esse fundo como uma espécie de recurso para aliados de Trump. No entanto, o Departamento de Justiça suspendeu temporariamente as atividades do programa, após decisão judicial na Virgínia.
Além disso, os membros da oposição buscaram inserir reformas nas operações do ICE e da Patrulha de Fronteira, especialmente após casos de mortes envolvendo agentes, mas seus pedidos não foram contemplados no texto final do projeto. A oposição criticou a forma como o projeto ignorou esses temas sensíveis e urgentes.
Reações e preocupações da oposição
Antes da votação, a deputada Mary Gay Scanlon (Pensilvânia) criticou publicamente o uso do processo de reconciliação para evitar negociações com os democratas. Ela ressaltou que o ICE possui baixa aprovação popular, com apenas 33% dos eleitores aprovando suas ações, segundo pesquisas recentes.
Scanlon também apontou que o DHS ainda não gastou cerca de US$ 100 bilhões dos quase US$ 200 bilhões recebidos por Trump em fundos anteriores. A deputada acusou o ex-presidente de ampliar o alcance do ICE para ações contra imigrantes legais e de usar o departamento contra seus opositores políticos. Na avaliação dela, o novo orçamento vai aprofundar esses abusos.
Impactos no financiamento e nas políticas de segurança
A deputada Rosa DeLauro (Connecticut), líder de minorias na comissão de orçamentos da Câmara, comentou que o projeto não incluiu reformas necessárias e ainda cortou verbas para áreas como segurança cibernética e para a TSA, cujo funcionários passaram semanas sem receber durante a paralisação do DHS.
A aprovação também ocorre durante ameaças recentes do “czar da fronteira” Tom Homan, que afirmou planejar o envio de mais agentes do ICE para Nova York caso o estado aprove legislação limitando a cooperação com o DHS. Essa postura reforça o clima de tensão em relação às fiscalizações e deportações no país.
Vale a pena acompanhar os desdobramentos da verba ao DHS?
A liberação desta verba histórica para o Departamento de Segurança Interna significa um fortalecimento das políticas propostas por Trump, principalmente no que diz respeito à deportação em massa. O montante reforça agências como o ICE, apesar da forte oposição e críticas públicas que o governo enfrenta.
O cenário apresenta desafios concretos para a gestão das fronteiras, direitos dos imigrantes e políticas de fiscalização, assuntos que seguem repercutindo no debate público americano. Para acompanhar outras notícias relevantes sobre política e tecnologia, o público do EventiOZ pode conferir conteúdos recentes sobre avanços em inteligência artificial, como a nova Siri da Apple, que vem crescendo em popularidade.

