A confiança no jornalismo está em baixa, mas o consumo de notícias bate recordes, graças a podcasts, newsletters e influenciadores no TikTok. Em meio a esse cenário, Ben Smith, cofundador e editor-chefe do Semafor, aposta em um modelo diferente, que foge da corrida por audiência massiva e prioriza a qualidade e a independência.
Smith, antigo comandante do BuzzFeed News, conversa sobre o “negócio de convenções” — eventos para CEO’s e líderes — que já representa metade da receita do Semafor, além de discutir como o jornalismo lida hoje com a ética, influência de bilionários e a presença da inteligência artificial.
Modelo antiescala e o renascimento da mídia digital
Após a era de caça ao tráfego massivo, marcada pela dependência das redes sociais para engajamento, o Semafor se firmou como uma empresa antiescala, investindo em um público seleto e qualificado. Com cerca de 60 jornalistas e mais de 100 funcionários, a redação é dividida entre equipe editorial e comercial, incluindo produtores de eventos.
“Criamos um modelo de jornalismo de qualidade, junto com um negócio robusto baseado em convenções”, explicou Ben Smith. Esses eventos, como o “Silicon Valley & The World”, reúnem nomes de destaque da tecnologia e oferecem oportunidades únicas, tanto para conteúdo quanto para receita.
Distribuição, ética e a resistência ao viral polarizador
Ben ressalta a importância de entender que o meio de distribuição molda o conteúdo, mas reforça que seu foco é alcançar líderes influentes via múltiplas plataformas — de newsletters ao vídeo — sem sucumbir à tentação do conteúdo polarizador e superficial para viralizar.
Nos eventos e na cobertura de temas complexos, o Semafor aposta em entrevistas duras e perguntas difíceis. “Chegar e fazer perguntas fáceis a executivos não é para nós”, afirmou Smith. Ele destaca que muitas vezes os gestores esperam esse tipo de rigor para causar impacto real.
Influência dos bilionários e transparência na cobertura global
Com participação de conselheiros que incluem CEOs de gigantes da tecnologia e membros da realeza saudita, o Semafor enfrenta críticas sobre possível captura por interesses. O editor reforça que o compromisso é com uma cobertura independente e transparente, mesmo em regiões delicadas como o Golfo e a África.
A organização evita investimento direto de governos regionais, mas mantém o diálogo aberto para levar informação aprofundada, mesmo sob restrições locais e riscos para jornalistas.
O papel da inteligência artificial no jornalismo do Semafor
A adoção de ferramentas de IA já ajuda na produção interna do Semafor, especialmente em tarefas de organização de grandes volumes de entrevistas, como as ocorridas no evento “Semafor World Economy”. Ben Smith afirma que o elemento humano continua essencial para a apuração original e comunicação clara.
Quanto à ética do uso de IA, ele defende que a linha de raciocínio deve considerar quem pode ser enganado. Ajustes simples no áudio de podcasts com “dublagem” da própria voz, por exemplo, são aceitáveis, desde que não criem falsas impressões.
Vale a pena acompanhar o jornalismo de Ben Smith e o Semafor?
O modelo do Semafor representa uma nova abordagem no jornalismo digital, focada em um público que valoriza informação de qualidade e ética. Com uma combinação de jornalismo investigativo e eventos estratégicos, a empresa se destaca em um mercado marcado pela instabilidade.
Para quem acompanha os desdobramentos da mídia e a ética em um mundo misturado a influências poderosas e novas tecnologias como a inteligência artificial, o Semafor oferece um caso relevante e inovador para reflexão.
Na dinâmica atual, fica claro que a independência e a clareza na produção jornalística são fatores decisivos para a sobrevivência e crescimento. E o caminho apontado por Ben Smith no EventiOZ é um marco importante para entender essa transformação.

