No Brasil, menos da metade dos estudantes de 15 anos atinge o nível básico de proficiência em leitura. Apenas 49% conseguem identificar ideias centrais e localizar informações claras em textos moderadamente extensos, conforme dados do último ciclo do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). Essa marca está distante da média dos países da OCDE, que chega a 69%.
O desafio nessa fase escolar é expandir o repertório de leitura dos adolescentes, aprimorar sua interpretação e estimular uma relação mais autônoma com os livros, ultrapassando o foco restrito às tarefas escolares. A etapa final do Ensino Fundamental requer mais do que entender textos; é preciso ampliar conhecimentos, aprofundar sentidos e manter o contato com a literatura alinhado ao desenvolvimento do aluno, destaca Iara Cabral de Athayde Bertolani, mestre em Educação e diretora do Ensino Fundamental II do Colégio Visconde de Porto Seguro.
1. Mantenha frequência e continuidade na leitura
Manter uma rotina de leitura é essencial para que o hábito não fique restrito a provas ou trabalhos escolares. A consistência permite que o jovem retome leituras anteriores e crie uma ligação mais profunda com os livros.
Essa regularidade ajuda a transformar a leitura em um processo contínuo, o que contribui para o desenvolvimento gradual do repertório do estudante. A ideia é que o contato com textos ocorra sem interrupções ao longo do ano, favorecendo a progressão natural do aprendizado.
2. Diversifique as obras para ampliar o repertório
É importante oferecer aos adolescentes acesso a diferentes tipos de obras, incluindo gêneros variados, autores de várias épocas e culturas diversas. Romances, contos, quadrinhos, teatro e literatura de cordel ajudam a ampliar horizontes e apresentar realidades distintas.
Essa seleção deve fugir das escolhas espontâneas dos jovens, que muitas vezes se limitam. Ao lerem obras que não escolheriam sozinhos, os estudantes ampliam o repertório cultural e literário, o que enriquece a interpretação e a visão de mundo.
3. Aumente os desafios gradualmente e com mediação
Para que a dificuldade dos textos cresça aos poucos, é fundamental escolher obras que estejam compatíveis com a idade e a maturidade leitora dos estudantes. Conforme avançam, a complexidade da linguagem, estrutura e temas deve se ampliar.
Nesse processo, o papel do professor é crucial. Ele deve contextualizar as obras, levantar hipóteses e estimular debates, ajudando os alunos a perceber nuances que poderiam escapar numa leitura solitária. Essa mediação fortalece a argumentação e promove uma leitura mais crítica.
4. Preservar a autonomia e espaços para escolha
Além das leituras orientadas pela escola, é importante garantir momentos para que os jovens escolham o que desejam explorar. Isso desenvolve autonomia, permite o estabelecimento de ritmo próprio e o desenvolvimento de critérios pessoais para leitura.
Um exemplo disso são as leituras de férias, que podem ser organizadas com uma curadoria pedagógica para garantir qualidade enquanto oferecem liberdade na seleção. Ao ampliar referências, o aluno constrói sua própria trajetória literária e identidade leitora.
Vale a pena investir no hábito da leitura na adolescência?
Estimular a leitura na adolescência amplia repertório, desenvolve capacidade crítica e fortalece a autonomia. Quando o jovem associa o hábito à descoberta do prazer e da curiosidade, a leitura deixa de ser apenas uma obrigação escolar e se torna uma prática constante da vida.
No EventiOZ, acompanhamos cada etapa desse processo para informar e apoiar famílias e educadores na promoção desse hábito tão importante, que impacta diretamente no sucesso acadêmico e na formação cidadã dos adolescentes.
Para quem se prepara para exames como o Enem, por exemplo, desenvolver repertório por meio da leitura contínua é uma estratégia recomendada, como ilustrado em conteúdos sobre como usar repertório para fortalecer argumentos na redação.

