Nas semanas que antecedem as eleições de 2026 nos Estados Unidos, milhões de pessoas têm reclamado do excesso de mensagens políticas recebidas no celular. Mesmo quem nunca fez uma doação eleitoral pode ser alvo dessa enxurrada de textos, que se tornou uma constante em campanhas recentes. Entender por que isso acontece e o que pode ser feito é fundamental para quem busca um pouco de paz.
Essas mensagens exageradas são fruto de mudanças na legislação e estratégias avançadas de coleta de dados, que permitem o envio massivo sem a necessidade de consentimento prévio. A situação tem gerado dúvidas e preocupações sobre privacidade e segurança entre os eleitores e especialistas do setor.
A avalanche de mensagens durante as eleições
Estima-se que, só em 2022, foram enviados cerca de 15 bilhões de mensagens políticas nos EUA. Este número pode ser ainda maior em 2026, com estimativas indicando até 30 bilhões, um crescimento de até 10% em relação a 2024. O principal motivo para este aumento foi uma decisão da Suprema Corte dos EUA em 2021, que facilitou o envio de chamadas e textos em massa, mesmo sem o consentimento do destinatário.
O volume de mensagens inclui desde pedidos de doação, como o insistente “Pode doar nem que seja só $1?”, até convites para participar de manifestações e vídeos de influenciadores locais. Essas campanhas buscam mobilizar o voto de maneira agressiva, o que pode irritar muita gente que recebe conteúdos similares repetidamente.
Por onde esses números foram parar nas listas de envio?
Embora quem tenha feito doações políticas tenha mais chances de estar nessas listas, muitas vezes o número é capturado por corretores de dados que vendem informações públicas e privadas coletadas na internet. Esses dados vêm de registros eleitorais, comportamento online monitorado por trackers de anúncios e até programas de fidelidade. Isso faz com que, mesmo sem nunca ter se envolvido diretamente na política, a pessoa seja considerada um possível eleitorde interesse para os anunciantes políticos.
O problema é que esses dados são frequentemente desatualizados ou imprecisos, levando pessoas a receberem mensagens sobre estados onde nunca moraram ou de candidatos que não deveriam ter acesso ao seu contato. Essa situação mostra como a proteção de dados ainda está longe do ideal, e as consequências afetam diretamente o consumidor, segundo especialistas em privacidade.
Como se proteger das mensagens indesejadas
Infelizmente, as mensagens políticas são isentas das regras de bloqueio de chamadas e textos indesejados, o que limita as opções de quem quer parar de receber esse tipo de spam. Algumas ações, porém, podem ajudar a diminuir o fluxo, como responder “STOP” para pedir o cancelamento do envio, bloquear os números e informar o serviço de telefonia. Se a pessoa suspeitar do uso de discador automático sem autorização, vale a pena registrar uma reclamação na Comissão Federal de Comunicações (FCC) ou na procuradoria do estado.
Também é fundamental evitar clicar em links recebidos de remetentes desconhecidos para se prevenir contra golpes. Para doações, é mais seguro usar diretamente o site oficial do candidato ou do comitê político, evitando cair em fraudes comuns entre as mensagens recebidas. Além disso, usar um número VoIP em situações virtuais pode limitar o contato direto com seu número pessoal e reduzir o incômodo do spam.
O que o futuro reserva para as mensagens políticas
Para especialistas, o controle real desse problema dependerá de ações do Congresso e órgãos reguladores. Apesar de existirem leis que poderiam limitar essas práticas, a fiscalização ainda é falha. Os consumidores podem pressionar seus representantes para que haja uma atuação mais rigorosa contra o uso indiscriminado de robocalls e textos.
Enquanto isso, a recomendação é limitar o fornecimento do número de telefone ao máximo e estar atento às configurações de privacidade nos dispositivos. Em julho de 2023, por exemplo, o Windows 11 lançou melhorias em sua busca e atalhos para o modo de jogo Xbox que demonstram a preocupação crescente das grandes empresas em aprimorar a experiência dos usuários — atenção e controle dos seus dados também são essenciais nesse ambiente digital dinâmico.
Vale a pena tentar parar as mensagens políticas antes das eleições?
Enquanto é possível adotar medidas para reduzir a quantidade de mensagens, a baixa efetividade dos bloqueios imediatos e a iminente data da eleição tornam o esforço desafiador. O diretor da PIRG, Teresa Murray, alerta que a maratona de textos deve cessar logo após o pleito, trazendo um alívio temporário para os telefones do público. Por ora, o melhor é usar as ferramentas disponíveis com parcimônia, sem criar expectativas exageradas.
No EventiOZ, acompanhamos a evolução da privacidade do usuário no ambiente digital e reforçamos a importância de se manter informado sobre os direitos e recursos para lidar com esse tipo de comunicação, que, além de irritante, pode ser um risco para a segurança pessoal.

