A Meta, empresa controlada por Mark Zuckerberg, segue investindo pesado em novas tecnologias, principalmente inteligência artificial e realidade aumentada. Apesar do esforço, a companhia enfrenta uma série de dificuldades, que vão desde questões internas, como baixa moral dos funcionários, até problemas de imagem pública diante de preocupações com privacidade e segurança.
Com histórico marcado por polêmicas envolvendo segurança infantil e privacidade, a Meta tem tentado se reinventar com produtos como os smart glasses e o assistente pessoal Muse. Mesmo sendo líder em vendas na área de óculos inteligentes, a empresa ainda não garantiu um lugar de destaque na corrida pela inteligência artificial, em que seus concorrentes já avançam consideravelmente.
Da mudança para o metaverso às dificuldades operacionais
Em 2021, Mark Zuckerberg respondeu publicamente a denúncias de que o Facebook, antiga marca da Meta, impactava negativamente o público jovem. Numa troca de mensagens interna, o CEO admitiu preocupação com a segurança das crianças, mas justificou que seu foco principal era o desenvolvimento do metaverso, espaço virtual imersivo que prometia ser o futuro da internet.
Quase cinco anos após renomear a empresa para Meta e concentrar esforços no metaverso, os resultados não são animadores. A divisão Reality Labs acumulou mais de US$ 80 bilhões em perdas operacionais, e a empresa já fechou estúdios de realidade virtual e anunciou o fim do principal ambiente virtual para VR, o Horizon Worlds – que, após reação negativa do público, acabou mantido.
Smart glasses apontam para o futuro, mas ainda geram controvérsia
Embora o investimento no metaverso tenha se mostrado um fracasso, a Meta tem obtido resultados surpreendentes com seus óculos inteligentes, especialmente a linha Ray-Ban Meta. Desde a estreia em 2023, as vendas superaram expectativas, com cerca de 2 milhões de unidades comercializadas, número que deve crescer conforme a EssilorLuxottica, parceira da Meta, amplia sua produção.
O sucesso nesse setor reforça a aposta da Meta em inteligência artificial, que deve integrar ainda mais os dispositivos vestíveis. Zuckerberg chegou a afirmar, em 2025, que não ter óculos com IA pode ser um desvantagem significativa, refletindo o otimismo da empresa para o futuro desse mercado.
Problemas de privacidade e imagem continuam afetando a Meta
Contudo, a trajetória da Meta no mercado de smart glasses não está isenta de críticas. Os dispositivos receberam o apelido pejorativo de “óculos pervertidos” após relatos de uso para assédio e gravações não autorizadas. A empresa anunciou atualizações para melhorar a transparência nas gravações e removeu conteúdos ofensivos do Instagram relacionados ao equipamento, mas seus esforços são vistos como reativos.
Além disso, a reputação de Zuckerberg e da Meta ainda é fortemente impactada por históricos de escândalos de privacidade, como o caso Cambridge Analytica, multas bilionárias na Europa e outras controvérsias envolvendo coleta indiscriminada de dados. Ativistas têm promovido campanhas criticando a empresa e incentivando a rejeição aos seus produtos.
Corrida pela liderança em inteligência artificial e desafios internos
A Meta também luta para encontrar seu lugar na competição acirrada da inteligência artificial. Após vários anos focada no metaverso, a empresa atrasou sua entrada no segmento, lançando seus modelos de IA com recepção moderada apenas a partir de 2023. Para acelerar, Zuckerberg iniciou grandes contratações e investimentos, como o bilionário aporte na Scale AI em 2025.
Apesar desses esforços, fontes internas revelam que os projetos de IA da Meta enfrentam falta de foco, problemas de liderança e baixa moral entre os colaboradores. Reorganizações frequentes e disputas internas afetam a produtividade, enquanto a integração da IA nos produtos da companhia, como o Instagram, gerou reações negativas do público.
Vale a pena apostar na Meta em meio a tantas incertezas?
O caminho da Meta é marcado por altos investimentos e grandes apostas, principalmente nos smart glasses e em sua plataforma de inteligência artificial Muse, que já conta com mais de 600 mil usuários ativos diários nos EUA. Ainda assim, existem dúvidas sobre a capacidade da empresa em manter sua liderança nos setores em que atua e reconquistar a confiança do público.
Enquanto Meta investe para expandir sua presença no universo da IA, sua base de usuários enfrenta desgaste, especialmente entre os jovens, que são cada vez mais céticos em relação às redes sociais tradicionais. A reputação da empresa e as polêmicas em torno da privacidade ainda são obstáculos a serem superados.
No cenário competitivo que envolve gigantes da tecnologia como Google e Apple — esta última preparando novidades em hardware e IA — a Meta tenta se manter relevante, apostando em inovação e nos nichos promissores da computação móvel. Seguir de perto seus próximos passos, como as atualizações no app Muse e novas estratégias para seus smart glasses, será fundamental para entender se a empresa conseguirá se reinventar.
De acordo com especialistas, apesar dos desafios atuais, a trajetória da Meta ainda reserva surpresas e pode mudar o rumo da tecnologia pessoal e social. Para o público do EventiOZ que acompanha o futuro da tecnologia, o desenrolar dessa história vale atenção especial.
Confira também a iniciativa da Meta corrigir falha no app Muse que permitia controle do agente de IA por invasores e conheça o impacto da inovação em IA e hardware no mercado de tecnologia.

