Os dois maiores bancos públicos do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, iniciaram 2026 com queda expressiva nos lucros divulgados para o primeiro trimestre. As instituições enfrentaram desafios como alterações nas regras do Banco Central, aumento da inadimplência e dificuldades no setor do agronegócio.
O impacto foi sentido de forma diferente em cada banco, mas o cenário geral reflete um momento delicado para essas instituições que desempenham papel fundamental em segmentos estratégicos da economia nacional. Os resultados também mostram a pressão sobre o sistema financeiro diante das mudanças econômicas e regulatórias recentes.
Caixa Econômica Federal registra queda de 34% no lucro
No primeiro trimestre de 2026, a Caixa Econômica Federal registrou uma redução de 34% em seu lucro líquido recorrente. O banco atribuiu o resultado principalmente às novas normas do Banco Central que modificaram a contabilização de créditos tributários, afetando diretamente a forma de registro dos ativos fiscais no balanço.
Apesar da queda nos ganhos, a Caixa destacou crescimento em segmentos estratégicos, especialmente crédito imobiliário e programas sociais. A instituição reforçou investimentos em habitação, infraestrutura e financiamentos direcionados a famílias de menor renda, mostrando que áreas essenciais continuam em expansão.
Banco do Brasil tem queda ainda mais acentuada, de 54%
O Banco do Brasil apresentou um declínio mais intenso, com redução de 54% no lucro líquido ajustado, que totalizou R$ 3,4 bilhões no trimestre. A principal razão foi o aumento da inadimplência no crédito rural, setor em que o banco tem grande exposição financeira, sobretudo ligado ao agronegócio.
Para conter os efeitos da piora da carteira agropecuária, o BB elevou as provisões para perdas a R$ 16,8 bilhões, o que representa um aumento de 46% em relação ao mesmo período do ano anterior. A inadimplência no crédito rural avançou 3,5 pontos percentuais em 12 meses, chegando a 6,22%.
Dificuldades no agronegócio impactam resultados do Banco do Brasil
O setor agropecuário brasileiro enfrenta desafios diversos, como a queda nos preços das commodities, maior endividamento dos produtores e pedidos de recuperação judicial em algumas regiões. Essas questões afetaram fortemente o resultado financeiro do Banco do Brasil, que detém a maior carteira de crédito rural do país, com aproximadamente R$ 418,4 bilhões.
Esses problemas no agronegócio fizeram o banco revisar para baixo as expectativas de lucro para 2026. A projeção inicial de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões foi ajustada para uma faixa entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões.
Números e ações recentes dos bancos
Além dos resultados financeiros, o Banco do Brasil executou importantes renegociações e repactuações no crédito rural. Foram renegociados R$ 37,9 bilhões em dívidas, com mais de 73 mil operações ajustadas, beneficiando cerca de 25,5 mil produtores rurais.
Já a Caixa relatou um lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões, redução de 34,4% em 12 meses, mas crescimento de 25,4% na comparação com dezembro de 2025. A provisão para perdas cresceu 225% no período, atingindo R$ 6,5 bilhões. Também houve aumento no índice de inadimplência, que passou para 3,71%.
Perspectivas para Caixa e Banco do Brasil em 2026
Os dois bancos continuam sendo pilares importantes no financiamento de programas sociais, habitação e crédito rural no país. A Caixa mantém sua posição como principal agente dos programas habitacionais do governo, enquanto o Banco do Brasil segue líder no crédito ao agronegócio.
Esses resultados refletem um cenário econômico mais desafiador para o setor financeiro, marcado por maior risco de inadimplência e mudanças regulatórias que exigem ajustes importantes. A expectativa é que ambos tentem reverter a tendência de queda nos próximos meses, reforçando suas atuações em áreas-chave para a economia brasileira.
Para acompanhar melhor este panorama, vale observar também o crescimento da carteira de crédito do Nubank no primeiro trimestre, como comparação com os grandes bancos públicos deste início de ano.

