Taylor Sheridan renovou o gênero Western para as novas gerações. Com Yellowstone e seus spin-offs, o autor criou um verdadeiro império que mistura paisagens do velho oeste com dramas familiares e visuais sofisticados. Mas o neo-western não vive só no universo Paramount, e há outras produções que merecem ser descobertas. Estas séries abordam conflitos rurais, suspense e dilemas morais com propostas diferentes.
Algumas dessas séries não contam com os mesmos recursos de marketing e orçamento, mas compensam nisso com histórias mais cruas, realistas e complexas. Elas não tentam replicar o sucesso de Yellowstone, justamente por isso se destacam e valem o seu tempo. Quem gosta de faroeste com uma pitada contemporânea vai encontrar boas indicações para maratonar.
Godless (2017): minissérie focada em uma cidade dominada por mulheres
Produzida pela Netflix em sete episódios, Godless se passa no Novo México, em 1884. A trama gira em torno do fora da lei Frank Griffin (Jeff Daniels), que caça seu antigo protegido Roy Goode (Jack O’Connell). O diferencial está na cidade de La Belle, onde Roy se refugia e que é governada só por mulheres após um acidente na mina ter dizimado a maior parte dos homens.
Na série, as personagens Alice Fletcher (Michelle Dockery) e Mary Agnes (Merritt Wever) são o núcleo emocional da história. Com uma cinematografia ampla que transmite uma sensação épica, Godless evita finais fáceis e não oferece recompensas sem mérito para seus personagens. Essa franqueza e uma narrativa fechada com ambiguidades tornam a série um neo-western mais sombrio e realista.
Joe Pickett (2021–2023): drama policial no interior de Wyoming
Baseado nos livros de C.J. Box, esta série acompanha Joe Pickett (Michael Dorman), um guarda florestal que enfrenta corrupção política, dilemas familiares e os desafios do cotidiano rural. Diferente do faroeste tradicional, o caminho do protagonista é um constante embate contra as limitações da lei e da pequena comunidade onde vive.
Com duas temporadas elogiadas, Joe Pickett aborda casos complexos, incluindo uma sequência de assassinatos que envolvem caçadores, aprofundando o lado sombrio da trama. Michael Dorman entrega uma performance equilibrada que evidencia o personagem guiado pela consciência. Apesar do sucesso, a série foi cancelada em outubro de 2023. Os fãs podem acompanhar na Paramount, que lançou um sucesso com Sheridan, mas também com produções mais realistas como esta.
Outer Range (2022–2024): faroeste com toque de ficção científica
A série de duas temporadas disponível no Prime Video mistura elementos clássicos do faroeste com mistério e ficção científica. Royal Abbott (Josh Brolin) luta para preservar suas terras em Wyoming, até que uma anomalia aparece — um buraco temporal no meio da fazenda que altera a realidade.
A trama explora temas familiares e psicológicos, com subenredos envolvendo segredos e crises de fé. A personagem Autumn (Imogen Poots), que ocupa a área da fazenda, adiciona tensão ao ambiente já instável. Diferente das expansões constantes de Yellowstone, Outer Range fecha suas histórias em um ciclo mais contido e inquietante, criando um clima único e inesperado.
Tulsa King (2022–2025): drama criminal com humor e faroeste
Essa produção de Taylor Sheridan coloca Sylvester Stallone como Dwight “The General” Manfredi, um chefe da máfia de Nova York que, ao sair da prisão, se estabelece em Tulsa, Oklahoma. Em três temporadas, ele monta um império do crime, enfrentando rivais e desafios enquanto lida com sua adaptação ao novo cenário.
Além da violência tradicional do gênero, a série incorpora humor causado pelo choque cultural do protagonista, enriquecendo as dinâmicas com aliados e inimigos. O sucesso foi imediato, sendo a série mais assistida da Paramount+ na estreia, com mais de 3,3 bilhões de minutos vistos na primeira temporada. A segunda temporada recebeu nota máxima no Rotten Tomatoes e bateu recordes globais, consolidando seu prestígio e já garantido sua quarta temporada.
Dark Winds (2025–presente): neo-western ambientado na Nação Navajo
Produzida por George R.R. Martin e o falecido Robert Redford, Dark Winds acompanha a rotina do policial tribal Joe Leaphorn (Zahn McClarnon) e seu parceiro Jim Chee (Kiowa Gordon) na década de 1970, na Nação Navajo. A série mistura investigações policiais com questões culturais e políticas, proporcionando um olhar íntimo sobre comunidades indígenas.
A ambientação é marcada por vastas paisagens áridas, silêncios prolongados e violência pontual, criando uma atmosfera carregada de tensão. Diferente das histórias de poder financeiro exploradas em Yellowstone, aqui o foco está em sobrevivência e identidade comunitária, destacando nuances e perspectivas pouco exploradas no gênero.
Wynonna Earp (2016–2021): faroeste sobrenatural com humor e diversidade
Se Buffy: A Caça-Vampiros tivesse um faroeste, seria Wynonna Earp. A série apresenta Wynonna (Melanie Scrofano), descendente direta de Wyatt Earp, que luta contra seres demoníacos empunhando a revolver de seus ancestrais. A mistura de fantasia, ação e comédia cria um universo caótico e divertido.
A interpretação da protagonista é elogiada por equilibrar a relutância e o heroísmo. Um destaque é a representarão LGBTQ+, especialmente a relação da irmã Waverly (Dominique Provost-Chalkley) com Nicole Haught (Katherine Barrell), figura importante dentro do neo-western. Após o cancelamento pela Syfy, a série ganhou um especial de 90 minutos, Wynonna Earp: Vengeance, que trouxe os atores principais de volta em 2024.
Justified (2010–2015): precursor moderno do neo-western
Antes de Yellowstone virar febre, Justified redefiniu o faroeste moderno. Baseada nas histórias de Elmore Leonard, a série segue o U.S. Marshal Raylan Givens (Timothy Olyphant) em confrontos com o fora da lei Boyd Crowder (Walton Goggins). Com seis temporadas aclamadas, seu estilo envolve um jogo constante de gato e rato.
O personagem Raylan age pela ética do ‘velho oeste’, com métodos questionáveis e muito jogo de cintura, enquanto Boyd navega entre o crime e a busca por redenção. Com algumas temporadas recebendo notas máximas no Rotten Tomatoes, a série expôs o lado moralmente complexo dos personagens sem proteger ninguém, criando um padrão para produções futuras.
Breaking Bad (2008–2013): um western contemporâneo na veia do deserto
Embora frequentemente classificada como drama criminal, Breaking Bad foi definida por seu criador Vince Gilligan como um neo-western moderno. Ambientada no deserto de Albuquerque, a história acompanha Walter White (Bryan Cranston), que se transforma de um professor de química em um impiedoso traficante de drogas.
Ao lado de Jesse Pinkman (Aaron Paul), Walter vive um faroeste urbano onde a violência tem peso, consequências e nenhuma glória. O seriado recebeu 16 Emmys e é considerado por muitos como o ápice da TV americana. A série subverte a mitologia do faroeste tradicional, focando nos efeitos cumulativos da violência e da ambição.
Vale a pena assistir essas séries neo-western além de Yellowstone?
Para os fãs de faroeste contemporâneo, essas séries convidam a sair do universo dos Duttons para explorar outras narrativas ricas e multidimensionais. Produções como Godless e Joe Pickett entregam histórias mais sombrias e realistas, enquanto Outer Range e Dark Winds experimentam com mistério e cultura.
Além disso, obras como Tulsa King mostram que o neo-western pode dialogar com o crime e o humor, ampliando as fronteiras do gênero. No EventiOZ, essa diversidade destaca o sucesso e a versatilidade do neo-western na TV atual, mostrando que o público tem muito mais para descobrir além do fenômeno Yellowstone.
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