O Universo Cinematográfico Marvel (MCU) é alvo de uma ideia equivocada entre fãs e críticos. O surgimento da Saga do Infinito, que marcou profundamente a franquia, nunca foi uma estratégia pensada desde o início. Essa crença ganhou força devido à participação rápida de Thanos na cena pós-créditos de The Avengers e uma ligeira menção das Joias do Infinito no tesouro de Odin em Thor.
No entanto, nada disso indicava um cronograma já traçado. O termo “Saga do Infinito” surgiu apenas em março de 2019, perto da estreia de Avengers: Endgame. Na verdade, o planejamento da narrativa envolvendo as Joias do Infinito foi delineado somente a partir de 2012, quando James Gunn foi convidado a propor uma revisão que transformaria toda a franquia.
Marvel Não Tinha um Plano Para as Joias do Infinito Antes de 2012
A aparição de Thanos ao final de The Avengers não foi uma antecipação oficial para futuros filmes. O diretor e roteirista Joss Whedon incluiu o personagem para explicar a origem do exército de Loki e como uma homenagem para fãs da Marvel nos quadrinhos. Na época, os estúdios ainda estavam focados em finalizar o primeiro filme dos Vingadores, sem planos claros para Thanos.
Quando Whedon retornou para Avengers: Age of Ultron, ele optou por Ultron como vilão, alegando que não entendia bem o personagem Thanos. Essa decisão adiou o protagonismo de Thanos, ao mesmo tempo que permitiu o início do planejamento da saga a longo prazo.
Em 2012, durante o anúncio de Guardians of the Galaxy na San Diego Comic-Con, muitos fãs imaginaram que o filme seria um prólogo de um futuro longa centrado em Thanos. Afinal, o grupo era pouco conhecido e composto por heróis menos populares. Curiosamente, Thanos não fazia parte do roteiro inicial e só foi inserido durante as refilmagens.
A Origem das Joias do Infinito e a Participação de James Gunn
Em entrevista para a revista GQ no ano de 2023, James Gunn revelou que após entregar o primeiro roteiro de Guardians of the Galaxy, foi instruído pelo estúdio a criar uma origem para as Joias do Infinito. Ele precisou desenvolver em pouco mais de uma hora uma cena em que O Colecionador explicaria o poder dessas pedras.
Gunn admitiu ter improvisado a ideia, considerando “mente aberta” a possibilidade que a Joia do Poder estaria na posse do Colecionador. O termo “Joias do Infinito” só apareceu de fato na cena pós-créditos de Thor: The Dark World (2013), quando Lady Sif e Volstagg entregam o Éter ao Colecionador, numa sequência conduzida por Gunn.
A partir dali, o MCU estruturou que o Tesseract, inicialmente pensado para ser a versão do Cubo Cósmico dos quadrinhos, seria uma das Joias do Infinito. O Éter, que manipula a realidade, também foi identificado como outra Joia. Em seguida, Avengers: Age of Ultron conectou o cetro de Loki à Joia da Mente, e todo um plano emergente começou a tomar forma, indicando que alguém (entendia-se ser Thanos) buscava essas pedras.
O Sucesso da Marvel Vem da Adaptação e Improvisação, Não do Planejamento Rigoroso
As Joias do Infinito passaram a ser centrais para a narrativa do MCU, aparecendo até em Doctor Strange (2016), antes de culminar em Avengers: Infinity War. Mesmo sem um filme focado nas pedras em 2017, várias produções, como Guardians of the Galaxy Vol. 2, Spider-Man: Homecoming e Thor: Ragnarok, apresentaram conexões sutis que pareciam fazer parte de um enredo maior.
Isso mostra que, apesar de as Joias terem sido apresentadas ao público em um intervalo relativamente curto nos anos anteriores à guerra dos Vingadores, a habilidade de James Gunn em criar rapidamente a história das Joias fez parecer que tudo havia sido planejado desde os primeiros filmes, como Thor (2011) ou até Iron Man (2008).
Desafios Atuais da Marvel com a Multiverse Saga
Os problemas recentes da Marvel, especialmente na Multiverse Saga, refletem o compromisso do estúdio com planos mais rígidos, como os envolvendo o vilão Kang, e a aposta no ator Jonathan Majors. Essa abordagem resultou em mudanças abruptas na direção da narrativa, notadamente com a transição para Avengers: Doomsday.
No entanto, assim como as Joias do Infinito foram introduzidas de maneira improvisada, referências relacionadas aos X-Men e mutantes em filmes recentes tentam fabricar uma sensação de planejamento a longo prazo para essa nova fase, dando a impressão de que esses elementos já vinham sendo desenvolvidos desde o começo.
Vale a Pena Entender o Processo de Construção da Saga do Infinito?
Para quem é fã dos filmes e deseja compreender melhor o funcionamento do MCU, conhecer a história por trás da criação da Saga do Infinito é bastante enriquecedor. A forma como James Gunn ajudou a construir esse universo mostra que a criação não precisa ser totalmente planejada para se tornar uma história épica e marcante.
Tal compreensão ajuda a enxergar a Marvel com outros olhos, entendendo que o sucesso muitas vezes vem da capacidade de se adaptar e improvisar, e não apenas de um roteiro engessado desde o início. Essa experiência pode ser valiosa para quem acompanha o MCU e seus desdobramentos constantes.

