Os desastres climáticos deixaram de ser tema exclusivo dos noticiários e passaram a integrar as provas dos principais vestibulares brasileiros. Em 2025, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicou que o ano teve condições climáticas extremas, com recordes de calor e seca prolongada. Durante esse período, foram registradas 1.493 ocorrências relacionadas a chuvas, como inundações e deslizamentos, nos municípios monitorados pelo órgão.
Além disso, o fenômeno El Niño, confirmado em junho pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e pela agência americana NOAA, deve ganhar força no segundo semestre, podendo alcançar a categoria muito forte. Eventos como ondas de calor e ciclones extratropicais mantêm os desastres climáticos em evidência, reforçando sua presença nas discussões públicas e em provas acadêmicas.
Geografia e impactos socioambientais em provas do Enem e vestibulares
As questões vinculadas à emergência climática ganharam maior relevância em 2026, principalmente com a possibilidade de um super El Niño, um episódio mais intenso do que o usual. Vestibulares costumam exigir o conhecimento sobre as características do El Niño, seus efeitos sobre o regime de chuvas, temperaturas e a frequência de eventos extremos ao redor do mundo.
Segundo Fabiana Pegoraro, coordenadora de geografia do Colégio Rio Branco, os candidatos não precisam apenas compreender o funcionamento dos fenômenos El Niño e La Niña. É essencial conhecer os impactos socioambientais, como a alteração na evaporação e liberação de calor nas águas oceânicas, afetando a umidade, temperaturas e circulação atmosférica.
No Brasil, o El Niño está associado a secas severas e calor intenso nas regiões Norte e Nordeste, enquanto provoca chuvas mais concentradas nas regiões Sul e Sudeste. Vestibulares podem cobrar questões que abordem a desigualdade socioespacial gerada por esses eventos, já que os impactos atingem diferentes populações de formas variadas. Comunidades indígenas e ribeirinhas, por exemplo, enfrentam isolamento quando o nível dos rios baixa. Moradores de áreas urbanas vulneráveis ficam expostos a inundações e deslizamentos, afetando moradia e serviços básicos.
Como biologia, química e física tratam dos desastres climáticos nas provas
Em disciplinas científicas, as provas geralmente pedem que o estudante analise as relações causais entre os fenômenos climáticos e suas consequências para os ecossistemas. Paulo Allil, coordenador de biologia do Colégio Rio Branco, destaca que candidatos devem desenvolver uma visão ampla, formulando hipóteses e buscando soluções para os problemas ambientais.
Rafael Lucena Lomazi, professor de biologia no Colégio Ábaco, explica que temas atuais, como as queimadas no Cerrado e o aumento das temperaturas, são ligados à fragmentação de habitats, efeito estufa e acidificação dos oceanos. As ondas de calor e secas podem ser abordadas a partir dos impactos sobre a fauna e flora, como a redução de polinizadores que compromete a agricultura.
Esses conteúdos também podem se relacionar a tópicos de química e física, como o derretimento das geleiras, calor latente e expansão térmica. Acompanhar noticiários e discussões sobre a emergência climática ajuda o estudante a interpretar questões que conectam eventos atuais a conceitos acadêmicos.
Matemática e a interpretação dos dados de desastres naturais
Vestibulares costumam transformar dados de desastres climáticos em problemas matemáticos, cobrando operações com porcentagens, razão, proporção, médias e projeções. Alunos podem encontrar gráficos comparando volumes de chuva, tabelas com dados de queimadas ou números sobre pessoas afetadas por enchentes.
Tainara Dias, executiva de negócios acadêmicos da Casio Educação, aconselha que os estudantes acostumem-se a analisar cuidadosamente como os números são apresentados nas notícias, observando o período, unidade de medida e base de cálculo dos percentuais. Interpretar corretamente os dados é tão fundamental quanto resolver os cálculos envolvidos.
História, sociologia e atualidades vinculadas aos desastres climáticos
Nos últimos anos, as universidades têm integrado conteúdos ambientais a disciplinas tradicionais, reconhecendo que essas questões estão interligadas a processos sociais, econômicos e políticos. As mudanças climáticas são resultado de uma série de eventos históricos, incluindo a Revolução Industrial, a expansão das atividades produtivas e as desigualdades globais.
O professor Vitor Mizuki, da Beacon School, ressalta que os desastres ligados ao clima refletem um processo global que começou nas cidades industriais da Europa. Atualmente, as relações entre extração, produção, consumo e descarte revelam desigualdades que afetam especialmente o chamado Sul Global, onde indústrias se deslocaram na segunda metade do século XX em busca de mão de obra mais barata e leis ambientais menos rígidas.
Por isso, questões em vestibulares podem abordar o entrelaçamento de temas como a economia, política, desigualdade social, racismo ambiental e acordos climáticos. Entender esses relacionamentos ajuda a compreender os desastres climáticos como um fenômeno complexo e multidimensional.
Vale a pena estudar desastres climáticos para o Enem e vestibulares?
Os desastres climáticos têm ganhado espaço em diferentes disciplinas e são cobrados de forma interdisciplinar nos vestibulares e no Enem. Com conteúdos que envolvem geografia, ciências naturais, matemática e ciências humanas, o tema exige que o estudante esteja atualizado e entenda as conexões entre fenômenos ambientais e sociais.
A crescente presença do assunto nas provas reforça a importância de acompanhar notícias e compreender dados e conceitos relacionados aos desastres naturais. Para quem deseja melhorar a preparação, o EventiOZ oferece diversas dicas valiosas que podem ajudar a enfrentar com mais segurança as provas deste e dos próximos anos.
O domínio desses temas não só amplia a visão do estudante, mas também ajuda a interpretar melhor as questões e a realizar análises sólidas e bem fundamentadas.
Para se aprofundar em outras formas de se preparar para os exames, especialmente no que diz respeito a estratégias, entenda como o perfeccionismo pode atrapalhar a preparação para o Enem 2026.

