Amazon anuncia investimento de US$ 20 milhões para conservar água no rio Colorado, mas uso da empresa ainda é nebuloso

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    A escassez de água no rio Colorado, um recurso fundamental para cerca de 40 milhões de pessoas no oeste dos Estados Unidos, atinge níveis críticos. Empresas do setor de tecnologia, com alta demanda para seus data centers, estão no foco de debates sobre consumo e sustentabilidade hídrica.

    A Amazon anunciou um compromisso de US$ 20 milhões em projetos para ajudar a preservar o rio Colorado, embora continue sem revelar o total do uso de água de suas operações globais. A iniciativa integra um esforço maior para enfrentar o déficit hídrico exacerbado pela seca histórica que assola a região.

    Amazon cria coalizão para conservação do rio Colorado e planeja arrecadar US$ 100 milhões

    A gigante do varejo online lançou a Colorado River Basin Collaborative, uma coalizão corporativa que pretende reunir recursos para proteger uma das bacias hidrográficas mais importantes dos EUA. O objetivo é arrecadar US$ 100 milhões em dois anos, valor que inclui o aporte inicial de US$ 20 milhões da própria Amazon.

    Segundo a empresa, esse movimento visa promover um dos maiores programas de conservação da água já realizados por uma única região nos Estados Unidos. A mobilização deve envolver diversas companhias, que poderão contratar projetos de preservação avaliados por uma organização ligada à ONU, a Water Resilience Coalition.

    O rio Colorado: papel vital e os efeitos da seca prolongada

    Estendendo-se por 1.400 milhas, o río Colorado abastece sete estados americanos e duas regiões do México. A estiagem severa que já dura 26 anos, agravada pelas mudanças climáticas e o uso excessivo, levou o Departamento do Interior dos EUA a aprovar cortes significativos no fornecimento de água para Arizona, Nevada e Califórnia.

    Na Califórnia, onde a Amazon concentra grande parte de seus centros de distribuição, a empresa destinou US$ 2,2 milhões para reparar vazamentos e conservar cerca de 189 milhões de galões de água por ano, especialmente em Orange County. A região é estratégica para a importação de produtos asiáticos.

    Data centers e o desafio da transparência no consumo de água da Amazon

    Apesar da pressão crescente, Amazon revelou que seus centros de dados consumiram 2,5 bilhões de galões de água em 2025, incluindo instalações próprias, alugadas ou compartilhadas. A empresa reporta uma redução de 2% no consumo direto de seus data centers no mesmo ano, destacando uma melhoria de 52% na eficiência desde 2021.

    Por outro lado, a companhia não detalha o volume total de água usada, pois exclui da contagem o consumo associado à geração de energia elétrica, que responde pela maior parte do uso indireto. Ambientalistas alertam que essa falta de transparência dificulta avaliar o real impacto da empresa, principalmente durante picos de demanda e escassez hídrica.

    Controvérsias e comparações com outras gigantes de tecnologia

    Em 2025, uma investigação apontou que a Amazon optou por não contabilizar o uso secundário de água, relacionado à geração de energia, para evitar danos à sua imagem. Um documento vazado indicava que a empresa consumiu cerca de 10,5 bilhões de galões nesse processo, volume equivalente ao uso de 95 mil residências americanas.

    Ao ser questionada, a porta-voz da Amazon rebateu, afirmando que o relatório é desatualizado e não reflete a estratégia atual da organização. A empresa destaca ainda que atingiu 75% de sua meta para se tornar “water positive”, repondo três galões para cada quatro usados no ano anterior.

    Enquanto isso, concorrentes como Microsoft e Google têm apresentado relatórios mais detalhados sobre seus consumos, incluindo dados por localização e períodos específicos. Esses rivais também enfrentam resistência local contra novos data centers, especialmente no contexto da demanda crescente por IA, que utiliza enormes volumes de água para resfriamento.

    A relevância do tema para setores além da Amazon

    O consumo de água pelos data centers e a pressão sobre recursos hídricos são desafios para diversas indústrias, não apenas para a Amazon. Em um cenário em que companhias investem em inteligência artificial e expansão tecnológica, debates sobre sustentabilidade e uso responsável de recursos ganham ainda mais força.

    Aliado a isso, temas sobre segurança cibernética e riscos da IA, como apontado por autoridades da ONU, seguem como tópicos urgentes e relacionados à maneira como a tecnologia impacta o meio ambiente e a sociedade. Para os leitores do EventiOZ, entender a posição da Amazon e de outras empresas no contexto do rio Colorado ajuda a visualizar melhor os desafios ambientais da inovação tecnológica atual.

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