A quarta temporada de Star Trek: Strange New Worlds trouxe uma experiência visual inédita com o episódio 4, “A Case of Chiaroscuro”, filmado em preto e branco. A aposta remete aos clássicos do cinema noir dos anos 1940 e gera uma atmosfera distinta dentro da série. A tentativa de aproximar a narrativa dessa estética é clara, mas a conexão entre o estilo visual e a história só fica evidente nos momentos finais.
Embora traga elementos interessantes, o episódio divide opiniões ao não justificar o uso da fotografia sem cor até seu desfecho. Diferente de outras experiências recentes da franquia, como o episódio musical da segunda temporada que apresentou uma explicação em ficção científica para o formato escolhido, aqui a explicação demora a ser revelada e acaba soando pouco natural para o público.
Personagem Una Chin-Riley protagoniza episódio em preto e branco
O foco principal do episódio está na personagem Una Chin-Riley, interpretada por Rebecca Romijn. As aventuras de Una no planeta Ma’taar 12 se conectam com um arco maior de sua trajetória na série. Isso também inclui um elemento de conflito interno, relacionado ao fato de ela ser uma Illyrian, um grupo que precisou esconder sua origem para servir na Frota Estelar.
Enquanto a subplot da oficial La’An, vivida por Christina Chong, se desenrola no USS Enterprise, as ações de Una exploram temas morais que imitam o tom sombrio dos filmes noir. A narrativa convida o público a refletir sobre dilemas éticos, fazendo uma ponte com as razões pelas quais a personagem se disfarça e apoia a resistência da população local contra os Klingons.
Explicação simplista sobre a estética preta e branca no final do episódio
À medida que a trama avança, Una questiona se sua decisão de se passar por Nevette foi correta. O médico da nave, Dr. M’Benga, interpretado por Babs Olusanmokun, responde com uma frase que tenta resumir a moral da história: “Poucas coisas na vida são preto no branco”. Essa fala, embora pertinente, chega como um clichê explícito que acaba por diminuir o impacto do clímax.
Essa tentativa de “explicar” o uso do preto e branco gera certa sensação de exagero, já que o episódio poderia carregar sua mensagem sem ter de ser tão didático. O recurso visual acaba se tornando mais um truque estilístico do que uma parte integral da narrativa, o que pode frustrar quem busca maior substância.
Justificativa científica da escolha estética deixa a desejar
O motivo dentro do universo de Star Trek para o episódio ter sido contado em preto e branco está na radiação emitida pelo sol de Ma’taar 12. Essa radiação peculiar altera a percepção das cores. O detalhe é mencionado no início do episódio, o que afasta a ideia de um mistério a ser solucionado, e muitas vezes parece não influenciar diretamente o desenrolar da história.
Com isso, o preto e branco não é explorado como um elemento central à trama, mas apenas como metáfora visual para reforçar as nuances morais abordadas. Essa decisão faz o episódio lembrar experiências anteriores da franquia, como as aventuras de Captain Proton em Star Trek: Voyager, ainda que sem a mesma intenção ou sucesso.
Oportunidade perdida para uma abordagem mais criativa e impactante
A série poderia ter aproveitado melhor a limitação de cores para criar momentos de tensão e reviravoltas, por exemplo, envolvendo distinções de cor fundamentais para o enredo, como em um cenário que exigisse identificar um fio vermelho para desarmar uma bomba. Essa dimensão teria tornado o recurso visual algo mais relevante no cotidiano da história.
Com o recurso agora explorado, a chance de reutilizar essa abordagem em futuros episódios diminui, deixando a impressão de que Star Trek Strange New Worlds perdeu a oportunidade de inovar de forma consistente com a narrativa e a ficção científica.
Vale a pena assistir ao episódio em preto e branco de Star Trek: Strange New Worlds?
“A Case of Chiaroscuro” se destaca por sua homenagem ao cinema noir e pelas atuações pontuais, especialmente da personagem Una Chin-Riley. O episódio oferece um olhar diferente para a temporada, embora a execução do recurso em preto e branco e sua explicação deixem a desejar no aspecto narrativo.
Para fãs da série e do universo Star Trek, ainda há valor em acompanhar o episódio, sobretudo para entender o desenvolvimento de Una. Entretanto, essa experiência visual pode não agradar a todos, especialmente quem procura uma justificativa mais inteligente e integrada para a escolha estética.
Star Trek: Strange New Worlds está disponível no Paramount+ e segue sendo uma aposta forte dentro do gênero de ficção científica, destacando-se com produções que, às vezes, se arriscam como nesta quarta temporada. Se você curte episódios com estilos diferentes, vale a pena conferir, assim como as séries de ação que dominam o streaming atualmente.

