Filmes de Gangster quase perfeitos que marcaram a história do cinema

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    Clássicos como O Poderoso Chefão e Os Bons Companheiros são unanimidades quando o assunto é cinema de gangster. Eles são elogiados pela atuação impecável, narrativas envolventes e direção de excelência, motivos que os mantêm vivos na conversa até hoje. Contudo, há produções que passam perto desse patamar mas esbarram em pequenos detalhes que as impedem de serem perfeitas.

    Este artigo apresenta filmes de gangster bastante conhecidos, alguns até premiados, mas que raramente recebem o reconhecimento merecido como obras-primas. Suas limitações são diversas, contudo, na maioria dos casos, poderiam ter sido evitadas com ajustes simples.

    O Que Torna Esses Filmes Tão Próximos da Perfeição?

    Para quem acompanha o gênero, é perceptível que os longas quase clássicos têm em comum a forte atuação de grandes nomes e roteiros densos, ainda que nem sempre totalmente aproveitados.

    A paixão por histórias de gangster vai além do entretenimento: serve como uma vitrine para o talento dos roteiristas e diretores, que exploram temas como poder, corrupção e violência com nuances únicas.

    The Irishman (2019)

    Dirigido por Martin Scorsese, o filme retrata a trajetória de um motorista sindicalista que se envolve com a máfia e a liderança dos Teamsters. A produção é um potente retrato dos efeitos da corrupção, com atuações memoráveis de Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci.

    Apesar dos méritos, o título do filme é considerado pouco original, especialmente comparado ao livro que o inspirou, I Heard You Paint Houses. Além disso, os efeitos digitais de rejuvenescimento foram criticados por parecerem artificiais, e o extenso tempo de quase 3h30 deixou a narrativa lenta em alguns momentos.

    Public Enemies (2009)

    Michael Mann dirige este biográfico que mescla a crise econômica da Depressão com as escapadas do famoso ladrão John Dillinger, vivido por Johnny Depp. A atuação de Christian Bale como o agente do FBI Melvin Purvis também se destaca, assim como a participação de Marion Cotillard.

    A obra perde fôlego na segunda metade e foca demais no FBI, ofuscando a história de Dillinger. Isso compromete o ritmo e gera interrupções por detalhes procedurais, deixando o filme menos envolvente em comparação a clássicos como The Public Enemy.

    The Godfather: Part III (1990)

    O terceiro capítulo da saga de Francis Ford Coppola traz Al Pacino vivendo Michael Corleone em busca de redenção, com Andy Garcia assumindo um papel de destaque. Cenas dramáticas e frases marcantes, como “Just when I thought I was out, they pull me back in”, marcam o filme.

    Apesar da qualidade técnica e da fotografia, o roteiro apresenta falta de coesão. A versão recortada para o 30º aniversário melhorou um pouco o ritmo, mas o filme teria sido melhor se realizado logo após o segundo.

    Capone (2020)

    O longa foca nos últimos anos de vida do famoso gangster Al Capone, que sofre com neurossífilis e demência, interpretado por Tom Hardy com intensidade. O filme destaca temas delicados como saúde mental e relações familiares.

    Porém, o foco quase exclusivo no sofrimento final de Capone deixa o filme menos dinâmico. Flashbacks que explorassem seus anos de glória poderiam ter enriquecido a narrativa e tornado a obra mais recomendável.

    Filmes de Gangster quase perfeitos que marcaram a história do cinema

    Outros Filmes Próximos da Excelência no Gênero Gangster

    Títulos como Donnie Brasco, Sexy Beast e Menace II Society também merecem menção. “Donnie Brasco” aborda a infiltração do FBI em famílias do crime em Nova York, mas falta tensão no enredo. “Sexy Beast” chama atenção pela fotografia, porém falha na lógica do roteiro. Já “Menace II Society” é violento e contundente, mas com pouco peso para visualizações repetidas.

    “Bugsy”, com Warren Beatty e Annette Bening, apresenta performances fortes, mas sofre com oscilações de tom entre drama de gangster, romance e biografia. “King of New York” de Abel Ferrara traz uma violência visceral e clima noir, mas deixa o enredo raso e os personagens secundários pouco desenvolvidos.

    The Many Saints of Newark (2021)

    Prelúdio da série The Sopranos, o filme foi comemorado pelos fãs ao explorar rivalidades, racismo e ambição nas ruas de Newark. Michael Gandolfini, filho do falecido James Gandolfini, entrega uma atuação sólida como o jovem Tony Soprano.

    Entretanto, sua narrativa acelerada prejudica o entendimento para quem não está familiarizado com a série original. Um formato em minissérie teria dado mais espaço para aprofundar esses personagens complexos, seguindo o exemplo do segundo O Poderoso Chefão.

    Casino (1995)

    Em uma trama ambientada em Las Vegas, Michael Mann aborda a gestão de cassinos com maestria. Robert De Niro e Joe Pesci lideram um elenco poderoso, e o longa traz cenas icônicas de violência que marcaram o gênero. Sharon Stone se destaca entre o elenco.

    Apesar disso, pesa a sensação de querer repetir o sucesso de Os Bons Companheiros, lançado apenas cinco anos antes. O filme perde força por essa semelhança temporal e parcialidade nas escolhas de foco.

    Vale a pena assistir esses filmes quase clássicos de gangster?

    Para os fãs do gênero, essas produções oferecem histórias importantes, elenco de peso e momentos memoráveis. Cada uma aparece com seus pontos fortes e limitações, mas todas atuam como importantes peças dentro do cinema policial.

    Se você gosta de explorar diferentes vertentes do estilo gangster, vale conferir essas obras e observar as diversas abordagens que ampliam o tema. Claro, para uma experiência ainda mais rica, vale acompanhar também as grandes referências e até outros gêneros que se conectam, como séries premiadas da atualidade.

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