Apesar de ser apontado como um dos grandes lançamentos do verão nos Estados Unidos, Supergirl se tornou um dos maiores fracassos de 2026. Após uma abertura fraca, o filme sofreu uma queda brusca no segundo fim de semana, enfrentando forte concorrência de Minions & Monsters e Toy Story 5. Porém, o que surpreendeu mesmo foi o performance inesperada de um drama histórico: Young Washington.
Lançado pela Angel Studios, Young Washington conquistou a terceira colocação na bilheteria em seu fim de semana de estreia. Embora seja um feito notável para um filme com orçamento de US$ 20 milhões frente a um blockbuster de US$ 170 milhões, a história completa revela mais nuances sobre o desempenho de ambos nas salas de cinema.
‘Young Washington’ atendeu a um público específico e fiel
Um dos fatores que prejudicaram Supergirl foi o boca a boca negativo. O filme recebeu uma nota “B-” no CinemaScore, indicando que o público não estava entusiasmado, o que levou a uma queda acentuada na bilheteria logo no segundo fim de semana. Além disso, a forte concorrência de produções infantis e familiares ampliou o desafio para justificar seu alto orçamento.
Por outro lado, Young Washington focou em um público mais restrito, mas leal. A Angel Studios, conhecida por lançar filmes com apelo religioso e patriótico, mira audiências conservadoras. O sucesso do filme em Utah, especialmente no cinema The Megaplex 18 Thanksgiving Point, reforça essa conexão com o público local, onde o título conseguiu uma nota “A” no CinemaScore.
As críticas dos dois filmes são próximas. Young Washington tem 61% de aprovação no Rotten Tomatoes, considerado “fresh” mas não excepcional, enquanto Supergirl conta com 54%. Porém, o número de avaliações para o filme da Angel Studios ainda é reduzido – 46 críticas contra 343 do blockbuster. Além disso, as análises de Young Washington tendem a ser de veículos mais alinhados ideologicamente, enquanto Supergirl teve análises mais variadas.
Uma narrativa que envolve a guerra cultural
A disputa no cinema não se restringe a números. Supergirl e Young Washington entraram em meio a um conflito cultural. Desde meses antes, a atriz Milly Alcock, protagonista de Supergirl, enfrentou críticas e campanhas de ódio, reforçadas inclusive por comentaristas do Fox News.
Enquanto isso, Young Washington foi promovido como uma alternativa para públicos conservadores que consideram os blockbusters americanos excessivamente liberais. O site do filme destaca um “Ranking Patriótico dos Estados”, sinalizando onde o longa está funcionando melhor, estratégia que reforçou seu tom político sem necessariamente ser intencional.
Embora não se possa afirmar que a audiência escolheu Young Washington apenas para confrontar o sucesso de Supergirl, é claro que o filme histórico agradou ao espectador com valores mais tradicionais. Por outro lado, o fã típico de super-heróis diminuiu o interesse pelo longa da DC em função da recepção mediana.
‘Young Washington’ ainda não superou ‘Supergirl’ na bilheteria total
Apesar de seu destaque no feriado de 4 de julho, Young Washington não ultrapassou Supergirl em receita doméstica geral. O blockbuster da Warner Bros. faturou US$ 58 milhões nos EUA, enquanto o drama histórico acumulou US$ 21 milhões — com uma semana de diferença no lançamento.
Na estreia, Supergirl arrecadou US$ 37,1 milhões, quase o dobro dos US$ 19,3 milhões de Young Washington. A questão do orçamento influencia muito essa percepção: com US$ 170 milhões gastos, o desempenho de Supergirl é considerado fraco. Já o filme da Angel Studios, com custo estimado em US$ 20 milhões, teoricamente já recuperou seu investimento, descontando a margem dos cinemas.
É importante destacar que Young Washington pode ter economizado ao usar inteligência artificial em partes da produção, enquanto Supergirl destinou boa parte do orçamento à mão de obra. Embora o drama histórico demonstre maior lucratividade proporcional, o longa da Warner ainda vendeu mais ingressos e deve alcançar um público maior.
No momento, Young Washington está confirmado para ganhar uma sequência, enquanto Supergirl provavelmente não terá continuação, apesar do retorno da heroína prometido em Man of Tomorrow. Essa disputa reforça um cenário complexo, tanto para estúdios quanto para públicos diversos.
O sucesso precoce de ‘Young Washington’ pode ser passageiro?
Uma dúvida importante é se Young Washington conseguirá manter o público nas próximas semanas, diferente do que aconteceu com Supergirl, que registrou uma queda de quase 77% no segundo fim de semana. O bom índice de aprovação (“A” no CinemaScore) indica uma possível retenção maior, mas o filme depende muito de seu nicho.
O lançamento estrategicamente programado para o feriado de 4 de julho ajudou o impulso inicial da produção, que faturou US$ 7,6 milhões só no dia da Independência americana. Filmes com datas temáticas, no entanto, costumam ter picos rápidos e perdas acentuadas logo depois — como foi o caso de Friday the 13th em 2009, que despencou 80% no segundo fim.
A Angel Studios busca evitar esse mesmo destino com Young Washington, almejando um desempenho mais estável, como aconteceu com o sucesso Sound of Freedom, outro filme da produtora. Essa produção conseguiu crescer na bilheteria após o feriado e permaneceu semanas no Top 10 dos EUA, conquistando público a longo prazo.
Vale a pena assistir a ‘Young Washington’ e ‘Supergirl’?
Ambos os filmes têm propostas e apelos distintos. Young Washington atende espectadores que buscam filmes com forte conexão patriótica e valores religiosos, enquanto Supergirl tenta se firmar no mercado de super-heróis, mesmo diante das críticas negativas.
Se o seu interesse for por dramas históricos focados em figuras marcantes da América, Young Washington pode ser uma boa opção. Já fãs de ação e aventura fantástica deverão olhar para Supergirl, ainda que o desempenho deste nas bilheterias e avaliações tenha decepcionado.
Para quem acompanha as tendências do cinema, é interessante observar essa disputa atípica, mostrando como produções menores podem, em determinados contextos, desafiar os gigantes do setor. Essa dinâmica reflete mudanças no gosto do público e nas estratégias de mercado da indústria audiovisual atual.
No EventiOZ seguimos atentos a esses movimentos, que também impactam outras produções, como a série de terror da Apple TV, que conquistou 98% no Rotten Tomatoes e ganhou 19 indicações ao Emmy, ou o novo capítulo da franquia Evil Dead, que surpreendeu fãs com sua avaliação. Essas variações revelam a diversidade cada vez maior do público por conteúdos variados e autênticos.

