Christopher Nolan anuncia seu próximo grande projeto: uma adaptação do poema épico The Odyssey. Marcado para chegar às telonas em 17 de julho de 2026, o longa promete trazer uma nova visão para o clássico de Homero, explorando temas como memória, tempo e transformação pessoal. O trailer lançado em maio mostra uma produção grandiosa, com Matt Damon interpretando Ulisses e uma equipe técnica de peso.
Antes da estreia de Nolan, é importante conhecer o legado do cinema épico, que abrange mais de seis décadas de filmes memoráveis. De clássicos que revolucionaram Hollywood até produções recentes pouco vistas, essa seleção traz um panorama fundamental para quem quer se preparar para o que vem por aí no gênero. Abaixo, o EventiOZ traz uma lista com 10 obras que representam o melhor do épico cinematográfico.
The Return (2024)
Antes da chegada de Nolan, The Return, lançado em 2024, já oferece uma releitura da Odisseia. Dirigido por Uberto Pasolini, o filme conta com Ralph Fiennes como Ulisses, que retorna a Ítaca após 20 anos, marcado por sua longa ausência. Juliette Binoche também se destaca como Penélope, que não se limita a esperar o marido, ganhando profundidade própria na narrativa.
Com foco na parte humana da história, a produção abre mão de elementos mitológicos para mostrar as dificuldades de uma família tentando seguir em frente. Apesar de ter estreado discretamente no Festival de Toronto e recebido uma distribuição limitada, sua qualidade merece maior reconhecimento.
Clash of the Titans (1981)
Um marco da era pré-CGI, Clash of the Titans é o último trabalho do mestre dos efeitos Ray Harryhausen. Seus efeitos práticos, como a Medusa em stop-motion, conferem um charme artesanal difícil de encontrar no cinema atual. Laurence Olivier dá vida a Zeus com carisma, enquanto Harry Hamlin interpreta Perseu com uma energia contagiante.
O filme entrega uma aventura com tom leve e típico dos seriados de fantasia, o que o torna especialmente divertido e uma referência interessante para quem quer entender a base mitológica que Nolan irá revisitar. Ainda hoje, seus efeitos são lembrados como um trabalho artesanal brilhante.
300 (2006)
Zack Snyder transformou a história das Termópilas em um espetáculo visual com 300. Adaptação da graphic novel de Frank Miller, o filme é marcado pelo uso de cores dessaturadas e cenas de batalha estilizadas, que dividem opiniões até hoje. Gerard Butler interpreta Leônidas com bastante vigor físico e intensidade dramática.
Embora não tenha grande complexidade, o filme cativa pela fidelidade ao tom do material original e pela força dos seus combates épicos. Com orçamento de US$ 65 milhões, arrecadou US$ 456 milhões globalmente, mostrando a força comercial das narrativas mitológicas desde então.
Spartacus (1960)
Dirigido parcialmente por Stanley Kubrick, Spartacus é um épico histórico que combina a grandiosidade do cinema clássico com a precisão do diretor. Kirk Douglas, que também produziu o longa, protagoniza a história do líder da revolta dos escravos na Roma antiga, oferecendo uma atuação cheia de carisma.
Com duração de três horas e meia, o filme alterna momentos de grande força emocional, como a cena icônica “Eu sou Spartacus”, que permanece como um dos episódios mais memoráveis e impactantes da história do cinema épico.
Jason and the Argonauts (1963)
Famoso pela sequência dos esqueletos animados, que levou quatro meses para ser concluída, Jason and the Argonauts é uma produção que traz efeitos especiais revolucionários para a década de 1960. A aventura é dinâmica, colorida e não se leva a sério demais, o que torna o filme agradável.
Todd Armstrong interpreta Jason de forma convincente, enquanto Niall MacGinnis oferece um Zeus espirituoso, que equilibra a solenidade do tema com leveza.
Excalibur (1981)
O filme de John Boorman é uma interpretação operística da lenda do Rei Arthur. Com um estilo visual intenso, Excalibur se destaca por tratar a mitologia arturiana como um mito, e não história, cheia de simbolismo e teatralidade. O elenco conta com nomes como Helen Mirren e Liam Neeson, em papéis que marcam suas carreiras.
John Boorman equilibra uma narrativa mítica com uma direção ousada. Nolan reconheceu influências dessa obra em seu trabalho, tornando sua visão da mitologia ainda mais interessante. Para quem quer entender The Odyssey, é essencial conhecer Excalibur.
Troy (2004)
Antes de Nolan aceitar o projeto da Odisseia, ele recusou a direção de Troy, adaptação da Ilíada feita por Wolfgang Petersen. Mesmo com algumas críticas à compressão da trama e ausência dos deuses, o filme oferece uma boa sequência de batalhas e tem Brad Pitt como Aquiles, que treinou durante oito meses para o papel e não usou dublê em cenas cruciais.
A versão estendida, com quase 200 minutos, tem mais densidade e oferece uma experiência mais completa, mesmo que tenha sido recebida com opiniões mistas quando lançada no começo dos anos 2000.
Gladiator (2000)
Ridley Scott ressuscitou o épico com Gladiator, cuja história de um general romano que vira gladiador emocionou uma nova geração. Russell Crowe entrega um Maximus forte, mas também com contornos emocionais profundos, colocando o filme entre os mais influentes do gênero.
A sequência inicial na Germânia é uma demonstração de direção de primeira linha, e o sucesso da produção incentivou cineastas a retomarem os grandes épicos históricos. Além disso, os eventos em Gladiator levaram Wolfgang Petersen a desenvolver depois o filme Troy, reforçando a demanda por narrativas grandiosas.
Ben-Hur (1959)
Com 11 Oscars, Ben-Hur é um dos maiores épicos da história do cinema, com uma produção monumental que reuniu milhares de extras, dezenas de cavalos e carruagens em um cenário de 18 acres construído especialmente para o filme. O famoso duelo de quadrigas, com nove minutos de pura ação, é um marco do cinema prático.
Charlton Heston foi consagrado com seu único Oscar pela atuação, que equilibra grandiosidade e humanidade. A direção de William Wyler prepara o espectador para cada cena com precisão, tornando todas as sequências envolventes e memoráveis.
Lawrence of Arabia (1962)
Um dos filmes mais estudados por Nolan para sua obra, Lawrence of Arabia, dirigido por David Lean, combina escala épica com personagens profundos. A cinematografia no deserto da Jordânia e Marrocos é um espetáculo à parte, que valoriza o uso de locações reais em detrimento de efeitos digitais.
Peter O’Toole, em sua estreia como protagonista, entrega uma performance complexa como o idealista e problemático T.E. Lawrence, dando corpo a uma figura de múltiplas contradições. O filme é uma referência obrigatória para quem deseja entender as nuances do heroísmo retratadas em The Odyssey.
Vale a pena assistir esses filmes antes de The Odyssey?
Resgatar esses clássicos do cinema épico é uma ótima maneira de se preparar para a estreia de The Odyssey. As produções listadas apresentam diferentes estilos de narrativa, efeitos práticos e interpretações que ajudaram a consolidar o gênero ao longo das últimas décadas.
Além disso, entender a evolução dessas adaptações e referências cinematográficas enriquece a experiência do público, permitindo uma imersão mais completa no universo que Christopher Nolan pretende reviver em sua obra. Para os apaixonados por cinema, certamente vale a pena revisitar todas essas pérolas.

