Mais de um milhão de câmeras de segurança e monitores de bebê estavam vulneráveis a hackers

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    Um alerta grave sobre segurança atingiu usuários de monitores de bebê e câmeras de segurança Wi-Fi. Mais de um milhão desses dispositivos, fabricados pela Meari Technology, estavam expostos a invasões, permitindo que hackers acessassem imagens íntimas e dados pessoais sem qualquer dificuldade.

    Essa fragilidade coloca em risco a privacidade de famílias e usuários ao redor do mundo. A investigação revelou que, por falhas simples, técnicos mal-intencionados puderam visualizar câmeras em mais de 100 países sem precisar de senhas fortes ou interrompendo sistemas.

    Vulnerabilidade em câmeras da Meari e suas marcas parceiras

    A Meari Technology, empresa chinesa pouco conhecida, fabrica câmeras que são vendidas sob dezenas de marcas diferentes, como Arenti, Anran, Boifun, ieGeek, Intelbras, Wyze e até Petcube. A maior parte dessas câmeras compartilham a mesma infraestrutura técnica, o que propagou o problema de segurança para todas elas.

    O pesquisador de segurança francês Sammy Azdoufal descobriu que cerca de 1,1 milhão de dispositivos podiam ser acessados através de uma falha no aplicativo Android da Meari. Usando uma única chave de acesso, ele conseguiu acessar câmeras e dados em países variados, incluindo Brasil, Estados Unidos e França.

    Facilidade para hackers: senhas padrão e servidores desprotegidos

    Segundo Azdoufal, muitas câmeras ainda utilizavam senhas padrão, como “admin” e “public”, que não tinham sido alteradas pelos usuários nem pelos próprios fabricantes. Além disso, milhares de fotos capturadas por esses equipamentos estavam armazenadas em servidores da Alibaba sem qualquer proteção.

    O pesquisador detalhou que acessar as imagens não exigia sequer técnicas avançadas de invasão: bastava apenas clicar em URLs públicos, que exibiam as fotos instantaneamente. Em um servidor interno, ele encontrou também listas de senhas da empresa e dados de 678 funcionários, como nomes, e-mails e números de telefone.

    Resposta da empresa e impacto para os usuários

    Após contato, a Meari bloqueou o acesso externo às câmeras em 10 de março de 2026, encerrando o principal problema de segurança. A empresa admitiu a vulnerabilidade na plataforma EMQX IoT, que permitia interceptar as mensagens sem autorização. Também confirmou o risco de execução remota de código devido a senhas fracas.

    Para tentar corrigir o problema, a companhia pediu que os usuários atualizassem as câmeras para versões de firmware superiores à 3.0.0, afirmando que só dispositivos com versões antigas estavam vulneráveis. Contudo, a Meari não informou o número exato de equipamentos afetados nem se seus parceiros alertaram os clientes sobre a falha.

    Marcas envolvidas e reações do mercado

    Intelbras, uma das marcas mais populares no Brasil, afirmou ter identificado vulnerabilidades em menos de 50 unidades de seus três modelos de campainhas Wi-Fi produzidos pela Meari. Essa quantidade contrasta com as descobertas do pesquisador, que encontrou muitos dispositivos da marca em sua análise.

    Wyze explicou que só começou a trabalhar com a Meari no ano passado e que seu software roda em infraestrutura nos Estados Unidos, o que, segundo o CMO Dave Crosby, garante maior segurança. O processo reforça a preocupação com fabricantes que utilizam terceiros para a fabricação do hardware, mas mantêm controle interno do software e servidores.

    Sistemas conectados e novas ameaças digitais

    Esse caso evidencia os riscos que dispositivos inteligentes com conexões Wi-Fi enfrentam, especialmente quando a segurança não é prioridade. Em contraste, surgem esforços para aumentar a proteção de dados e reforçar programas de segurança digital, como as soluções de IA para cibersegurança, que buscam prevenir ataques e proteger usuários.

    Vale a pena utilizar monitores de bebê e câmeras Wi-Fi mesmo com riscos?

    Apesar da vulnerabilidade relatada, muitos fabricantes buscam corrigir falhas rapidamente e lançar atualizações para mitigar riscos. Usuários interessados em dispositivos conectados devem ficar atentos às atualizações de firmware e evitar conexões com senhas padrão.

    Alternativas sem Wi-Fi, que utilizam tecnologias de transmissão mais seguras como FHSS ou DECT, começam a ganhar espaço nas lojas. Elas dificultam a espionagem remota, ainda que não garantam proteção completa. Para quem está preocupado com segurança, considerar esse tipo de equipamento pode ser uma boa escolha.

    Na cobertura de tecnologia do EventiOZ, acompanhe as principais notícias e novidades para manter seus dispositivos protegidos e informados.

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