Quantas vezes você terminou uma série da HBO e pensou: por que ninguém lembra disso? Acontece mais do que deveria. Apesar do prestígio da HBO com produções icônicas como Band of Brothers e Chernobyl, nem todas as joias da emissora ganham o reconhecimento que merecem.

    Muitas minisséries excelentes passaram despercebidas, seja por terem estreado antes da era do streaming, por terem sido ofuscadas por títulos maiores ou simplemente pela má sorte do algoritmo. Confira agora 10 minisséries da HBO que continuam valendo muito a pena.

    The Outsider (2020)

    Adaptações de Stephen King costumam dividir opiniões, e The Outsider é um exemplo que foge do padrão. A narrativa é propositalmente lenta, detalhando a prisão de Terry Maitland, um popular treinador acusado de um crime brutal. A investigação desenrola intensamente ao longo dos 10 episódios, explorando essa contradição.

    Jason Bateman lidera o elenco, acompanhado por Ben Mendelsohn como o detetive Ralph Anderson e Cynthia Erivo, que entrou na trama na metade da temporada como Holly Gibney. A atuação de Mendelsohn é um destaque que rouba as cenas, enquanto Erivo garantiu uma indicação ao Emmy. Lançada em início de 2020, a série acabou ofuscada pelo impacto global da pandemia.

    Generation Kill (2008)

    Você conhece David Simon pelo aclamado The Wire, mas poucos lembram de Generation Kill, sua minissérie mais ambiciosa. Baseada no livro do jornalista Evan Wright, a série acompanha o Primeiro Batalhão de Reconhecimento durante a invasão do Iraque em 2003.

    A narrativa é crua e realista, sem músicas dramáticas ou descansos emocionais, mergulhando no militarismo puro, jargões e a rotina implacável da guerra. Com um elenco de ponta, Alexander Skarsgård e James Ransone se destacam, especialmente o personagem descontrolado de Ransone, que recorre ao rap para manter a sanidade em meio ao caos.

    I’ll Be Gone in the Dark (2020)

    Esta minissérie documental de seis episódios é baseada no livro póstumo de Michelle McNamara sobre o Golden State Killer, um assassino e estuprador em série que aterrorizou a Califórnia nas décadas de 70 e 80. O foco está menos no criminoso e mais na obsessão da própria investigadora.

    McNamara, escritora de true crime e esposa do comediante Patton Oswalt, faleceu antes de terminar o livro e sem saber a identidade do assassino. A obra foi concluída pelo marido e colaboradores, e a série dirigida por Liz Garbus mostra o preço da busca pela justiça, que muitas vezes chega tardiamente. Lançada no mesmo ano de Tiger King, acabou ficando esquecida.

    We Are Who We Are (2020)

    Dirigida por Luca Guadagnino, conhecido por filmes como Call Me By Your Name, a minissérie We Are Who We Are se passa em uma base militar dos EUA na Itália e acompanha Fraser, um adolescente americano que vive com suas duas mães, e Caitlin, uma jovem de família militar lidando com suas identidades.

    A trama mescla amadurecimento, romance e retrato da vida militar, com um ritmo calmo e cenas repletas de emoção genuína. A série é repleta de referências musicais, incluindo um momento marcante com a canção de Ryuichi Sakamoto, Merry Christmas Mr. Lawrence, que reforça o clima melancólico e sensorial da produção.

    Tell Me You Love Me (2007)

    Antes de séries como Normal People e Fleabag, houve Tell Me You Love Me, que chocou o público por seu retrato franco e gráfico da sexualidade e relacionamentos. A trama acompanha três casais em diferentes fases da vida, todos atendendo a mesma terapeuta.

    Sem heróis ou vilões, a série mostra a distância crescente entre pessoas que já escolheram estar juntas, retratando os dilemas e frustrações do amor com extrema honestidade. Sua estreia gerou desconforto devido ao conteúdo explícito, mas hoje é vista como uma produção que avançou na forma de discutir intimidade na televisão.

    The Plot Against America (2020)

    Imagine uma história alternativa onde Charles Lindbergh vence Roosevelt e se aproxima da Alemanha nazista. The Plot Against America acompanha uma família judia em Newark durante a ascensão do autoritarismo no país. A série traz atuações sólidas de Winona Ryder, Zoe Kazan e John Turturro.

    10 Minisséries da HBO Quase Perfeitas Que Você Provavelmente Esqueceu

    Com riqueza de detalhes históricos, o enredo cria um clima plausível, incluindo transmissões de rádio e comícios. Embora tenha um paralelo claro com a era Trump, a série apresenta uma visão mais intimista do impacto do fascismo nas relações pessoais e na vida cotidiana.

    I May Destroy You (2022)

    Considerada uma das minisséries mais ousadas da década, I May Destroy You gira em torno de Arabella, uma escritora enfrentando as consequências de uma agressão sexual em Londres. Criada, escrita, dirigida e estrelada por Michaela Coel, a série mistura comédia, surrealismo e drama.

    Indicada ao Emmy de Melhor Minissérie, a produção destaca-se pela abordagem única sobre trauma, amizade e identidade. Coel optou por não se candidatar ao prêmio de atuação, mas seu trabalho é fundamental para o peso e a profundidade do projeto.

    Olive Kitteridge (2014)

    Apesar do Emmy conquistado por Frances McDormand, Olive Kitteridge é uma minissérie pouco lembrada. Baseada no livro de Elizabeth Strout, a história acompanha Olive, uma professora aposentada e temperamentosa em uma cidade no Maine, e seu relacionamento complexo com o marido Henry.

    A narrativa aborda temas como sofrimento, alegria, passagem do tempo e a força dos laços humanos. A personagem principal é difícil de amar, mas impossível de esquecer, graças à interpretação marcante de McDormand e ao contraponto de Richard Jenkins.

    John Adams (2008)

    Esta minissérie de sete episódios oferece um retrato íntimo do segundo presidente dos Estados Unidos, desde a Revolução até a fundação da república. Sob a direção de Tom Hooper, a produção mostra tanto o brilhantismo quanto as imperfeições de Adams.

    Paul Giamatti interpreta Adams como um homem complexo, muitas vezes desagradável e teimoso, enfrentando desafios pessoais e políticos. Com um orçamento de US$ 100 milhões, John Adams conquistou 13 Emmys, sendo a minissérie com maior número de prêmios até então.

    The Night Of (2016)

    Com Riz Ahmed no papel principal, The Night Of conta a história de Naz Khan, um estudante paquistanês-americano que, após uma noite com uma mulher em Queens, acorda para um crime que não lembra de ter cometido. Misturando suspense e drama, a série acompanha suas escolhas que, embora compreensíveis, levam a consequências devastadoras.

    A atuação de Ahmed é elogiada por transmitir a transformação intensa do personagem, da inocência à dureza do sistema prisional. Apesar do Emmy recebido, a produção não atingiu o status clássico tão esperado e acabou sendo esquecida com o tempo.

    Vale a pena assistir essas minisséries da HBO?

    Para quem busca novas experiências além dos títulos mais populares, essas minisséries da HBO oferecem narrativas ricas e diversificadas. O EventiOZ destaca que muitas delas trazem histórias pouco exploradas na televisão, com performances memoráveis e temáticas fortes, capazes de prender a atenção do público.

    Se você está interessado em obras que desafiam a fórmula tradicional e apresentam conteúdos densos, esses títulos são ótimas opções para ampliar seu repertório. Além disso, vale observar que algumas produções, como a série Samurai “Shōgun”, estão seguindo esse caminho de resgatar narrativas menos exploradas no mundo das séries.

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